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Para Marina Silva, crise não é desculpa para Brasil descuidar questões ambientais

Por Lúcia Müzell

A França recebeu lideranças ambientais, étnicas e religiosas do mundo inteiro para debater como cada um pode contribuir para limitar as emissões de gases de efeito estufa e o uso de energias não-renováveis. A apenas quatro meses da Conferência do Clima de Paris (COP-21), o presidente francês, François Hollande, deseja apressar os países a chegar a um “pré-acordo climático” até outubro.

A lista de personalidades que veio participar dos debates era longa, e foi marcada pela presença de líderes das principais religiões, como o Patriarca Bartolomeu 1º, da igreja ortodoxa, e o cardeal Turkson, um dos autores da encíclica do Vaticano sobre o desenvolvimento sustentável. O ex-secretário-geral da ONU Kofi Annan e a diretora-geral da Unesco, Irina Bokova, também falaram sobre a importância da mudança de comportamentos da sociedade para salvar o planeta.

A ambientalista Marina Silva avaliou que a crise política e econômica no Brasil não pode ser desculpa para o país descuidar da proteção ambiental. “É igualmente preocupante e dramática a situação da crise ambiental global, com o problema das mudanças climáticas”, observou, em entrevista à RFI Brasil. “Um país como o Brasil, que é uma potência ambiental, não pode deixar de ter uma ação de liderança no debate. Obviamente, espera-se do Brasil que lidere pelo exemplo.”

Aumento do desmatamento

Marina lembrou que, na Conferência do Clima de Copenhague, o Brasil foi o primeiro país em desenvolvimento a apresentar metas voluntárias de redução de emissões de gases de efeito estufa. Mas ressaltou que esse esforço precisa continuar.

“Estamos com uma dificuldade que é uma tendência de aumento do desmatamento novamente. É preciso continuar reduzindo desmatamento pela indústria e setor de energia”, afirmou.

Marina Silva destacou que países como México e Estados Unidos, além da União Europeia, já apresentaram as suas propostas para as negociações climáticas. Enquanto isso, o Brasil demora para colocar as suas cartas na mesa.

“Há uma preocupação muito grande no Brasil. Infelizmente, até agora o governo ainda não apresentou os seus compromissos nacionais. Há um esforço da sociedade em contribuir – o Observatório do Clima fez uma proposta muito consistente, ao estabelecer que o Brasil deve assumir metas para dar uma contribuição efetiva”, disse.

Influência

Na avaliação da fundadora da Rede Sustentabilidade, se Brasília adotasse uma postura mais audaciosa desde agora, poderia influenciar as propostas que serão apresentadas por outros países.

“Se nós assumirmos metas significativas, isso levará ao constrangimento ético de países ricos, que têm maiores emissões históricas e maior responsabilidade na trajetória de redução das emissões até 2030”, observou.

Mudanças na sociedade

Outro brasileiro que participou da conferência em Paris foi o fotógrafo Sebastião Salgado, famoso por retratar a natureza e as transformações do planeta pelas mudanças climáticas. Ele apresentou a iniciativa que fez no Brasil, ao lado da mulher, Lélia, de plantar mais de 2,2 milhões de árvores de espécies da Mata Atlântica.

Pelo seu trabalho, Salgado constata que a conscientização das pessoas sobre a preservação do planeta “está em curso”. “É um movimento, que não acontece como um raio, em uma fração de segundo. É um movimento de conscientização que leva tempo, mas é real. As pessoas começam a ter, realmente, uma preocupação – inclusive porque os problemas vão surgindo”, comenta.

Salgado lembrou que o Brasil nunca teve problema de abastecimento de água - mas neste foi atingido por uma grave seca no centro-sul. “Isso ocorreu não só porque a gente foi reduzindo a oferta de água, como foi aumentando a demanda. Na medida em que a sociedade fica mais sofisticada, ela consome mais água”, afirma. “No Brasil, o consumo deve estar de, em média, 150 litros por habitante, por dia. Nos Estados Unidos, é quase 500. Ou seja, está na hora de nós resolvermos os problemas”, disse.

O fotógrafo destacou que é “primordial” trazer os produtores rurais aos debates sobre as mudanças climáticas. Na opinião de Salgado, as conferências sobre o tema ainda são “urbanas demais”.
 

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