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Líderes Guarani-Kaiowá jantam com Hollande e pedem socorro

Por Lúcia Müzell

Em busca de apoio à demarcação das terras indígenas, integrantes da etnia Guarani-Kaiowá estão na França e vão a Genebra para uma série de reuniões com líderes europeus, em sua primeira viagem ao continente. Em Paris, a porta-voz Valdelice Veron fez um emocionado apelo por socorro na conferência Consciências para o Clima, que contou com a presença do presidente francês, François Hollande.

Por ocasião do evento, os Guarani-Kaiowá foram convidados para um jantar com Hollande no Palácio do Eliseu, a sede da presidência francesa. Valdelice lamenta que, no Brasil, o assunto não ganhe a mesma atenção do governo brasileiro.

“Só o fato de ele [Hollande] nos receber, já foi muito importante. Nós fomos recebidos pelo presidente francês, jantamos na mesa dele, algo que presidência nenhuma fez com nenhum indígena, nem do Mato Grosso do Sul, nem do Brasil. Nunca somos recebidos pela presidente Dilma ou outras pessoas que esperávamos que nos acolhessem”, afirma.

A porta-voz relatou que 22 pedidos de demarcação de terras indígenas repousam nas instâncias da burocracia. Enquanto isso, as tribos vivem ameaçadas por proprietários de terras da região. Os conflitos são constantes, e já resultaram na morte de quase 300 índios nos últimos 10 anos.

“Aqui eu fui recebida como gente, como um ser humano. O jantar para mim foi como um sonho. Eu ainda estou me beliscando. Fui recebida desta forma aqui, mas lá no Brasil, a terra dos povos indígenas, os não-indígenas e os governantes não fazem isso. Por quê?”, questiona.

PEC 215

Junto com outros povos indígenas, Valdelice Veron espera barrar a votação da PEC 215, uma proposta que dá ao Congresso o poder de definir a demarcação das terras. O problema é que, a cada eleição, a chamada “bancada ruralista” ganha mais integrantes.

“Para nós, povos indígenas, a PEC 215 é a maior ameaça de genocídio possível. Nós pedimos a todos, do mundo inteiro, que se levantem contra essa emenda. Ela foi produzida pelos matadores de índios, pelos assassinos”, explica.

Diferenças culturais

Em uma coletiva de imprensa em Paris, a representante dos Guarani-Kaiowá falou sobre a dificuldade de os índios serem compreendidos pelo restante da população, e vice-versa. Para os indígenas, o que vale é a palavra – não o papel. Valdelice observou que a preservação dos costumes das tribos inclui a recusa em se adaptar à cultura dos não-indígenas. É por isso que, na disputa com o lobby ruralista, eles acabam em desvantagem.

“Os índios não têm representação no Congresso. A gente nem é aceito lá dentro. Quando queremos entrar, temos que esperar dois, três, cinco dias para sermos recebidos na porta”, relata. “Mas nunca nos aceitam para sentar e conversar civilizadamente.”

Os Guarani-Kaiowá vivem no Mato Grosso do Sul e são a segunda maior população indígena do Brasil, com cerca de 31 mil habitantes, segundo dados da Funai. Milhares deles têm sido expulsos de suas aldeias pela expansão das áreas rurais, principalmente plantações de cana de açúcar e soja.
 

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