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Refugiada síria elogia solidariedade brasileira após criar grupo no Facebook

Por Leticia Constant

O Brasil recebeu 2.077 refugiados sírios desde o começo da crise no país, em 2011. Nesses últimos anos a situação se agravou com a multiplicação dos confrontos entre rebeldes e tropas fiéis ao presidente Bachar al-Assa e a invasão do grupo terrorista Estado Islâmico. Deixando para trás suas casas destruídas e as lembranças de toda uma vida, agora eles desembarcam em terra estranha  com seus poucos pertences, trazendo como principal bagagem a esperança de paz. Foi assim com a jovem Marah, de 23 anos, que nos contou a sua história.

Há um ano e meio Marah desembarcou em São Paulo acompanhada dos pais e do noivo. Eles deixaram Damasco, onde viviam, depois de sua casa ter sido bombardeada e com medo da violência que passou a vigorar na cidade. Mas antes de conseguirem um visto para o Brasil, ficaram em um campo de refugiados, como ela nos conta: "Depois de sair da Síria ficamos um ano no Egito, mas depois tivemos que ir embora, só pode ficar lá por um certo tempo", ela diz.

Logo que chegaram em São Paulo  foram alvo de um aproveitador que, falando árabe, prometeu ajudá-los mas acabou roubando uma parte do dinheiro da família.

Com muita dificuldade,  conseguiram alugar uma casa para morar, mas continuaram passando necessidades. Foi quando Marah teve a ideia de criar uma página no Facebook chamada "Esperança Refugiados Sírios no Brasil" a fim de pedir ajuda para ela, mas também para outros conterrâneos que haviam fugido do país. Deu certo.

"Eu disse aos meus pais: Sei que ainda não falo nem escrevo português direito, mas vou criar uma página no Facebook, eu vou tentar". E foi assim que ela descobriu a generosidade brasileira, com muitas pessoas entrando em contato para ajudar com roupas, alimentos, móveis e até dinheiro.

Um teto, emprego, aos poucos a difícil integração, em um país de língua e cultura tão diferentes, vai acontecendo. Hoje ela está casada e espera o primeiro filho, o pai arrumou um trabalho de pedreiro e o marido é cozinheiro em um restaurante. "Sempre falamos que queremos ficar aqui, que o brasileiro é um povo muito legal...", ela observa.

Apesar de toda essa solidariedade, Marah sonha em, um dia, voltar para sua terra natal. Mas somente se tudo puder ser como há cinco anos, antes da guerra começar. Ela lembra que sua família vivia bem, mas que hoje não tem nem para onde ir em Damasco. Seu pai era dono de uma fábrica de granito, o noivo tinha uma casa, mas tudo foi destruído.Eles não têm mais para onde regressar.

"Não tenho parentesco nem conheço nenhum sírio"

Esta solidariedade que mudou a vida de Marah e de outros refugiados sírios, tem muitos rostos e nomes. Na página Facebook de Marah, descobri um deles, a dentista Cristiane Foschini Pajtak. Altruísta, ela não tem nenhuma ligação com a Síria, sendo de origem italiana e casada com um descendente de croata.

"Na verdade, não conheço ninguém {nenhum refugiado}, eu estou no Rio, eles estão em São Paulo, mas sou dentista e acompanho desde 2012 a revolução síria. Eu me identifiquei demais, até me inscreví para ir para a Jordânia fazer serviço voluntário, mas não tenho dinheiro para a passagem. O que estou tentando fazer é alugar um consultório em São Paulo para atender  o pessoal nos finais de semana. Mas é por pura identificação, não tenho nenhum parentesco nem conheço nenhum sírio, é por amor mesmo...", diz Cristiane, que colocou toda a família "no batente" para ajudar também.

"Minhas tias recolheram roupas e  agora vão a São Paulo conhecer os refugiados, pedi doações de material a meus amigos dentistas, mas concretamente ainda não consegui fazer nada pois dependo desse consultório para fazer a minha parte. Choro todos os dias por causa deles..." , finaliza Cristiana.

 

 

 

 

 

 

 

 

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