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Nobel da Paz é homenagem a mundo árabe e aos que lutam pela liberdade

Por Silvano Mendes

A Academia norueguesa surpreendeu nesta sexta-feira (9) ao escolher o Quarteto de Diálogo Nacional da Tunísia para o Nobel da Paz 2015. Tradicionalmente, a honraria se destina a uma única personalidade. Mas desta vez, como em 2012 e 2013, o comitê do Nobel preferiu escolher uma homenagem coletiva.

Depois da paquistanesa Malala Yousafzai e do indiano Kailash Satyarthi, o prêmio Nobel da Paz deste ano foi dedicado a grupos da sociedade civil. Longe da personificação da homenagem, como nos casos de Barack Obama em 2009, Yasser Arafat em 1995 ou Nelson Mandela em 1993, a escolha do Quarteto tunisiano confirma que, de uns tempos para cá, a Academia tem preferido homenagear instituições. O cenário foi visto em 2013, com Organização para a Proibição das Armas Químicas (OIAC), premiado por seus esforços para libertar o planeta destas armas de destruição em massa, ou em 2012, quando a União Europeia (UE), recebeu o Nobel por ter contribuído para pacificar um continente devastado por duas guerras mundiais.

Para alguns especialistas, essa iniciativa visa mostrar que a paz é o fruto de um trabalho conjunto, além de criar uma identificação da população com o prêmio. “No caso do Nobel de 2015, todos os seres humanos que lutam pela liberdade se sentiram tocados. Ao escolher o Quarteto tunisiano, podemos dizer que qualquer árabe, africano, ou sul-americano que luta por sua dignidade foi homenageado. Passar do prêmio individual ao prêmio coletivo e universal é um passo muito importante”, analisa o cientista político José Farhat, presidente da Icarabe (Instituto da Cultura Árabe do Brasil).

Homenagem póstuma

O Quarteto de Diálogo Nacional da Tunísia, formado em 2013 após a Revolução do Jasmim, foi responsável pela mediação que garantiu a transição democrática no país após as manifestações que derrubaram o presidente Zine El Abidine Ben Ali, em 2011. Os protestos, que começaram após o vendedor ambulante Mohamed Bouazizi, abalado pela miséria e pela perseguição policial, ter se imolado na cidade tunisiana de Sidi-Bouzid em dezembro de 2010, deram início ao que ficou conhecido como Primavera Árabe. Para o cientista político, o Nobel 2015 é também um tributo póstumo ao rapaz. “É como se tivessem homenageado não só as entidades tunisianas, mas também aquele jovem, que deu a sua vida pela causa da liberdade. Tudo isso representa algo inédito na história da luta dos povos árabes.”

O grupo que conquistou o prêmio é composto por quatro organizações da sociedade civil : o UGTT, um dos principais sindicatos da Tunísia, a Liga dos Direitos Humanos do país, a Confederação Nacional da Indústria, Comércio e Artesanato e a Ordem dos Advogados tunisiana. Hossein Abassi, secretário-geral do UGTT, espera que “esse Nobel traga confiança e reforce não apenas os tunisianos, mas também todos no mundo árabe que lutam pelo diálogo”. Ele lembra que “atentados terroristas são realizados em diferentes regiões” da Tunísia e que o mundo árabe está em ebulição. Para Abassi, esse tipo de homenagem pode ajudar a “unir as forças para lutar contra o terrorismo, restabelecer a segurança e reforçar a coesão social”.

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