rfi

Ouvindo
  • RFI Brasil
  • Último jornal
  • RFI em francês
Reportagem
rss itunes

Candidatos à presidência da Argentina querem melhorar relação com o Brasil

A campanha eleitoral na Argentina entra na reta final. No próximo dia 25, os argentinos vão eleger entre uma continuidade ou uma mudança. Já está claro, porém, que seja qual for o próximo presidente, haverá empenho para retomar as relações com o Brasil como ponto de partida para uma reaproximação da Argentina com o resto do mundo, diferentemente do isolamento dos últimos anos. A dúvida é quem vai conduzir essa tarefa. Ninguém no país afirma se haverá presidente eleito agora ou se, pela primeira vez na história, a Argentina pode ter segundo turno.

Márcio Resende, correspondente em Buenos Aires,

Nesta semana, o candidato de Cristina Kirchner para suceder na Presidência, Daniel Scioli, foi recebido em Brasília pela presidente Dilma Rousseff. Segundo o próprio Scioli, Dilma "desejou a vitória dele". Um mês antes, quem veio aqui à Argentina apoiar o candidato da situação foi o ex-presidente Lula que, por três dias, foi um cabo eleitoral de Daniel Scioli, atual governador da província de Buenos Aires, onde se concentra 37% dos eleitores do país.

Uma vitória de Scioli, líder nas sondagens, significaria, em linhas gerais, uma continuidade da atual relação bilateral Argentina-Brasil, embora o candidato prometa que vai fortalecer essa relação, hoje estagnada.

Para a Argentina, a relação com o Brasil é a mais importante tanto política quanto economicamente. O vínculo do país com o mundo começa pelo Brasil e continua através do Mercosul. Mas esse eixo estratégico está paralisado tanto pelas barreiras comerciais e cambiais argentinas quanto pela crise no Brasil.

Atual deputado e ex-chefe do gabinete de ministros da presidente Cristina Kirchner, com quem rompeu em 2013, o candidato Sergio Massa, terceiro nas pesquisas de intenção de voto, se diz preocupado com a crise no Brasil. E a preocupação de Massa tem a ver com os investimentos brasileiros na Argentina. Ele se pergunta como ficará a política de financiamento do BNDES, por exemplo.

"Acompanhamos com muita atenção o processo político e o processo econômico do Brasil. Há investimentos brasileiros na Argentina que, em algum ponto, estão vinculados ao resultado do processo político brasileiro. Qual será o desenvolvimento da política de crédito do BNDES se está em questionamento o sistema de concessão de créditos do banco?", questiona-se Massa.

Parceria estratégica

Para o candidato que em 2013, venceu as eleições legislativas que impediram uma modificação na Constituição para permitir um novo mandato para Cristina Kirchner, a relação da Argentina com o Mercosul, em geral, e com o Brasil, em particular, é estratégica. É a partir dessa relação que a Argentina deve procurar vincular-se com o mundo.

"É importante que a Argentina, associada ao Brasil, sente-se como bloco regional com o resto dos países do Mercosul para discutir um acordo com a União Europeia. A relação com o Brasil é uma relação que a Argentina deve reconstruir e consolidar", afirma. "Por uma questão geográfica e política, a Argentina pode ter um papel de vértice entre o Mercosul e a Aliança do Pacífico (Chile, Peru, Colômbia e México)", indica.

Embora esteja em terceiro lugar nas sondagens, Massa se anuncia como o único capaz de derrotar Daniel Scioli num eventual segundo turno e, assim, acabar com a continuidade do chamado "kirchnerismo" que governa a Argentina há 12 anos.

"Todos os consultores dizem que sou o único capaz de derrotar Scioli num segundo turno. Sou o único que pode enterrar o kirchnerismo", repete Massa. Pode ser verdade que Massa consiga aderir todos os votos contrários a Cristina Kirchner, mas antes precisaria superar o candidato Mauricio Macri, segundo colocado nas pesquisas.

Mauricio Macri, atual governador do distrito Federal de Buenos Aires e ex-presidente do clube Boca Juniors, é o principal opositor ao governo. A prova de que as coisas seriam diferentes do atual piloto automático do Mercosul é que Macri já anunciou que vai exigir a libertação do opositor Leopoldo López, condenado a 13 anos de prisão na Venezuela. E se o presidente venezuelano Nicolás Maduro não concordar, Macri vai reunir os países do Mercosul, do qual a Venezuela é membro, para ativar a chamada "cláusula democrática" que suspende o membro do bloco onde o regime democrático não for pleno.

"Vamos exigir a libertação de Leopoldo López. Se Maduro e a Venezuela não aceitarem, vamos reunir os países do Mercosul e pedir que a cláusula democrática seja executada. Maduro tem de respeitar as liberdades e o papel dos opositores", avisa.

Reativar Mercosul

Macri também coloca a relação com o Brasil como a sua prioridade. Diz que vai reativar o Mercosul, como plataforma de inserção da Argentina no mundo, e que a sua primeira visita como presidente eleito será ao Brasil.

"A prioridade para o nosso governo será reestabelecer, dinamizar e ativar o Mercosul. A minha primeira visita como presidente será ao Brasil, sócio estratégico mais importante da Argentina", antecipa. "Como Mercosul, temos de converger à Aliança do Pacífico", aponta.

O candidato de Cristina Kirchner, Daniel Scioli, lidera as sondagens com cerca de 40%. Esse é o teto que Scioli não consegue superar. Os outros 60% dos eleitores votam na oposição, mas estão divididos. Mauricio Macri, tem aproximadamente 30% das intenções de voto. Em terceiro lugar, Sergio Massa, aparece com cerca de 20%.

Em qualquer lugar, o segundo turno estaria garantido, mas, aqui na Argentina, para ser eleito presidente, bastam 45% dos votos ou mesmo 40% desde que haja uma diferença de, pelo menos, 10 pontos com o segundo colocado.

Como as pesquisas indicam que os números estão no limite para um segundo turno ou não. E como nunca houve antes na história argentina um segundo turno, ninguém arrisca o cenário do próximo dia 25.

"Se haverá segundo turno, sinceramente ninguém sabe. A margem é mínima e estão todos no limite", admite Mariel Fornoni, diretora da conceituada consultoria política Management & Fit. Se Scioli disputar um segundo turno, as chances de uma derrota multiplicam-se com a soma de todos os votos anti-kirchneristas. É fina linha que separa o candidato de Cristina de uma vitória agora ou de uma possível derrota no segundo turno em 22 de novembro.

"A tendência hoje é de segundo turno, mas a diferença pode ser de meio ponto. E a verdade é que os cenários também num segundo turno são todos muito disputados", projeta Fornoni.

Uma sondagem da conceituada Poliarquía aponta 37,1% de votos patra Scioli, mas com a projeção de indecisos, alvo dos candidatos nesta reta final, os números poderiam oscilar entre 38,5% a 41%. Macri aparece com 26,2% e com a projeção de indecisos ficaria entre 27,5 e 30%.

Com qualquer candidato, a relação com o Brasil e com o Mercosul deve melhorar. Deve mudar menos com Daniel Scioli, mais com Sergio Massa e muito com Mauricio Macri. Mas sempre será estratégica para a Argentina.

Igreja Católica quer reforçar seu papel com indígenas ameaçados de morte por madeireiros

Religiosos da Amazônia defendem introdução das tradições indígenas em rituais católicos

Padres da Amazônia defendem ordenação de homens casados para fortalecer Igreja Católica

Católicas da Amazônia esperam do Vaticano maior valorização para mulheres dentro da Igreja

Situação dos EUA gera avanços na COP 22, diz brasileira do Greenpeace

Franceses e brasileiros começam o ano em Paris sonhando com paz e trabalho

Retrospectiva: 2015 foi marcado pelo terrorismo e pela crise migratória

Manifestantes contra a COP 21 criticam proibição de realizar protestos

“Espero que o Brasil reveja sua posição sobre a Venezuela”, diz Mauricio Macri

França dará "resposta forte" aos atentados de Paris, afirma especialista

Relação entre armas legais e criminalidade não é consenso entre pesquisadores

Sucesso da COP21 depende de China aceitar revisão de metas de emissões