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Sucesso da COP21 depende de China aceitar revisão de metas de emissões

Por Lúcia Müzell

A ONU anunciou na manhã desta sexta-feira (30) que, se depender das promessas de redução de emissões de gases de efeito estufa feitas até agora, não será possível limitar o aumento da temperatura global a 2°C, o que ocasionaria consequências dramáticas para o planeta. Esse é o principal objetivo da Conferência do Clima de Paris (COP21), que se inicia em um mês. Para que o evento não seja um fracasso, a inclusão de um mecanismo de revisão periódica das metas de poluição é essencial – mas essa é uma hipótese que, por enquanto, a China não quer ouvir falar.

O problema é que os chineses são os maiores poluidores do mundo, responsáveis por 25% das emissões de CO2. Pequim já avisou que o pico da sua poluição ainda está por vir: vai acontecer por volta de 2030.

A secretária-geral da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas (UNFCCC), Christiana Figueres, apresentou um balanço das promessas feitas pelos países até o momento – as chamadas INDCs, sigla em inglês para Contribuições Nacionalmente Determinadas Pretendidas. Ela afirmou não ter dúvidas de que haverá um acordo na COP21.

“O acordo precisa ter dois componentes importantes: a definição e a implementação das INDCs e o caminho a ser percorrido a longo prazo. Ponto. Haverá um acordo”, ressaltou. “Haverá um acordo porque eu só vejo a vontade política aumentar, da parte de todos os governos, para chegarmos a um entendimento. Se, no entanto, Paris só considerar a primeira parte da minha equação, o acordo de Paris não resolveria a questão do limite de 2°C.”

Poluição em alta por mais 15 anos

Os compromissos assumidos até agora gerariam um aumento da temperatura do planeta de “provavelmente 2,7°C” em 2100. Por enquanto, 147 participantes já apresentaram as suas propostas, ou seja, 80% dos países que virão à capital francesa para a Conferência do Clima.

Do documento apresentado pela ONU, o dado que mais preocupa o secretário-executivo do Observatório do Clima, Carlos Rittl, é o de que as emissões de CO2 vão continuar em alta até 2030.

“Isso demonstra que, apesar de um engajamento grande dos governos, no sentido de demonstrar a intenção de reduzir as emissões, esse compromisso é, até agora, insuficiente – e muito. A gente já deveria estar, em 2015, fazendo essa inflexão na curva global de emissões”, afirma Rittl.

“Direito” a emissões

Os países em desenvolvimento serão os maiores responsáveis por esse cenário: eles se encontram no auge dos esforços para atingir um grau de industrialização que as economias avançadas já conseguiram. A poluição vem, principalmente, da combustão das energias fósseis, como o carvão. É por isso que o governo chinês rejeita qualquer tipo de "punição" pelas emissões.

“As economias em desenvolvimento vão continuar aumentando as suas emissões. Não é o caso do Brasil, que propôs uma meta de redução e, na sua INDC, deixa claro que a trajetória entre 2025 e 2030 já seria de redução de emissões”, explica. “Quanto à grande maioria dos países desenvolvidos, eles estão se comprometendo a diminuir as suas emissões, embora em um nível de ambição bem menor do que o necessário.”

Diminuição de expectativas

Apesar do enorme desafio que se aproxima, na Conferência do Clima de Paris, Rittl destaca que é cedo para falar em fracasso das negociações internacionais da COP21. Mais de 80 líderes mundiais já confirmaram presença no evento, inclusive os presidentes da China, Xi Jinping, e dos Estados Unidos, Barack Obama.

“Eu acho que a gente tem que dosar a nossa expectativa em relação à COP21 e entender que ela não será um novo Big Bang. Já houve essa expectativa em 2009, em Copenhague”, comenta o secretário-executivo do Observatório do Clima, que reúne 35 ONGs ambientalistas brasileiras. “Paris não será o final de um processo de negociação, mas o início de um novo momento da agenda global de clima, a partir de um acordo que inclui compromissos de todos os países, que terão que crescer ao longo do tempo.”

Todos os países industrializados apresentaram as suas propostas para as negociações, um marco histórico em relação às conferências anteriores. Entre os países em desenvolvimento, 75% já se comprometeram com planos nacionais, o que também é um recorde.

 

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