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Chefs famosos cozinham em pleno metrô de Paris

Por Lúcia Müzell

Quem conhece Paris sabe que o transporte público da cidade não deixa a desejar. Além de oferecer uma rede completa de metrôs, ônibus, bondes e trens metropolitanos, a administradora do serviço, a RATP, promove até 25 eventos de entretenimento por ano nas estações da capital francesa. Nesta semana, é a vez de três famosos chefs de cozinha descerem as escadarias do metrô para ensinar dicas de culinária para os viajantes.

Uma verdadeira cozinha foi instalada entre as linhas 9 e 13, na estação Miromesnil, no 8º distrito da capital. O evento dura três dias e inclui jogos de degustação: dezenas de passageiros são sorteados para adivinhar os ingredientes dos pratos, e os vencedores ganham brindes.

O chef Patrick Bertron, 3 estrelas no disputado guia Michelin, veio mostrar como escolher e preparar o famoso foie gras, iguaria essencial da gastronomia francesa.

“Para mim, é importante estar aqui no metrô para mostrar que a cozinha pode ser boa em qualquer lugar, tanto em um grande restaurante quanto, principalmente, em casa”, afirma. “É a escolha dos produtos e maneira como eles serão tratados e combinados que fazem a boa culinária.”

Este é o sexto ano que Bertron participa do evento, que se repete pela sétima vez. Ele percebe que alguns usuários já até se tornaram habitués do encontro anual.

Outros vieram para conhecer de perto a chef pâtissier Nina Métayer, que participou recentemente de um conhecido programa de culinária na televisão. Em meio à correria do metrô, ela prepara madeleines e choux, doces tradicionais que remetem à infância de todo o francês.

“É bem fácil de fazer. É massa “choux” recheada com um bom creme. O segredo é colocar amor. Escolhi produtos simples para que todo mundo se reconheça”, explica a jovem chef. “É legal poder conversar com o público, dar umas dicas sobre as madeleines e as choux e sobre como associar os sabores em casa.”

Cozinha grega além do kebab

O evento também abre as portas para o mundo. O chef Andreas Mavrommatis traz os sabores do Chipre e da Grécia, muito além dos kebabs, tão comuns em Paris. Ele garante que qualquer um pode aprender a cozinhar.

“O segredo todo mundo sabe: é não colocar nem muito sal, nem muita gordura, nem muito açúcar. Mas o principal é que a boa culinária começa no mercado, comprando bons produtos”, ressalta. “É importante tentar evitar ao máximo os pratos prontos, que, para serem conservados, precisam de aditivos, muito ruins para a saúde.”

Cheiros agradáveis

Sempre apressados, nesta terça-feira os passageiros encontraram tempo para espiar o que estava acontecendo na estação, entre uma conexão de metrô e outra. O cheiro de comida ajudou a abrir o apetite da estudante Marion, em plena hora do almoço.

“Somos todos fãs dos programas de culinária da televisão, como Top Chef, Le Meilleur Patissier. É um assunto que interessa a todo mundo hoje em dia. Sem contar que é legal sentir os cheiros da cozinha nos corredores do metrô, em vez dos odores habituais”, brinca.

A aposentada Madeleine conhece bem a alta gastronomia francesa – ela já esteve em dezenas de restaurantes “estrelados” do país. Mesmo assim, fez questão de pegar o metrô para conversar de perto com o chef Bertron.

“É surpreendente, porque é um lugar onde a gente não imaginaria que seria possível cozinhar. Mas por que não?”, diz a parisiense. “É um local onde todo mundo passa e aqueles que não tem a sorte de conhecer a gastronomia podem vir degustar e conhecer.”

Melhora do clima

Em um ambiente que costuma ser marcado por passageiros impacientes para chegar ao destino, as animações promovidas nas estações visam quebrar o estresse do dia a dia. Michel Garret, diretor da área de eventos da RATP, afirma que ocasiões como o “Chefs descem no metrô” contribuem para melhorar o clima entre a prestadora de serviços e os usuários.

“A ideia é encantar um pouco o cotidiano das pessoas, promover uma ruptura na viagem. É um gesto de consideração com os passageiros, que vai além do serviço principal, que é oferecer um bom transporte”, explica Garret. “A experiência da viagem é ter um metrô que funciona, é seguro, limpo, mas que também oferece espaços agradáveis, que vão além da mobilidade.”

A estudante Magali confirma: ficou com uma melhor impressão do serviço depois de participar da brincadeira nesta terça-feira. “É bem diferente dos dias comuns, com a multidão no horário de pico do metrô. Agora estão todos aqui, em um momento convivial, em volta da cozinha. Muda a nossa visão do metrô”, comenta.

Para saber das próximas atividades no transporte parisiense, basta ficar antenado nas redes sociais, por onde a empresa divulga a programação. A próxima é um show do grupo Grand Corps Malade, na estação Jaurès, no nordeste da capital francesa.
 

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