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França realizará o primeiro transplante de útero em 2016

Por Daniella Franco

O Hospital Universitário de Limoges, no centro da França, recebeu autorização para a realização do primeiro transplante de útero do país. Na Europa, até hoje, apenas a Suécia realizou esse tipo de intervenção. O método revolucionário traz esperanças a mulheres que não podem ter filhos devido a ausência de útero ou a doenças que comprometem o órgão. A Organização Mundial da Saúde (OMS) calcula que atualmente uma a cada 500 mulheres têm problemas de fertilidade de origem uterina.

Na semana passada, a Agência de Segurança Sanitária do Medicamento e dos Produtos de Saúde da França (ANSM) concedeu autorização a um grupo de pesquisadores de Limoges para um primeiro teste clínico. O protocolo prevê o transplante em oito mulheres, que receberão úteros de doadoras em estado de morte cerebral.

Na França, a legislação sobre a doação de órgãos de pacientes em vida ainda é muito complexa. Já na Suécia, país pioneiro no procedimento, os úteros doados até hoje vieram de mulheres vivas, fora da idade reprodutiva, geralmente de mães que aceitaram fazer o transplante de úteros para as filhas.

Primeiro transplante em 2016

De acordo com o gineco-obstetra Tristan Gauthier, coordenador da pesquisa sobre transplante de útero no Hospital Universitário de Limoges, a previsão é que sua equipe realize a primeira cirurgia até o final do próximo ano. “Esperamos começar a selecionar as pacientes que serão envolvidas nessa aventura no início de 2016. Depois, há uma longa fase de preparação para obtermos um certo número de embriões, antes de realizarmos o procedimento. Então, se tudo acontecer dentro do previsto, poderemos realizar o primeiro transplante de útero até o final de 2016”, conta.

A previsão da equipe do hospital universitário de Limoges é de que o primeiro bebê gerado por um útero transplantado na França nasça até o final de 2018. “O processo é mais longo do que esperávamos. Até o momento, o que temos de concreto é a autorização para realizar o procedimento. Mas, claro, essa é uma ótima notícia para a França!”, comemora Gauthier.

Já o ginecologista Jean-Marc Ayoubi, chefe do serviço de maternidade do hospital Foch, em Suresnes, na região parisiense, que também aguarda a autorização para a realização de transplante de útero, acredita que é preciso ter sobriedade quanto ao procedimento “que trouxe muitas esperanças às mulheres inférteis”. “É preciso que todos estejam a par da complexidade da retirada do útero e, sobretudo, do transplante em si. Precisaremos de tempo para afinar melhorar nossa técnica e aproveitar todos os progressos tanto no plano cirúrgico quanto médico, que podem beneficiar milhares de pacientes.”

Suécia é pioneira no procedimento

No final de 2014, o primeiro bebê gerado em um útero transplantado nasceu no hospital universitário de Gotemburgo, sob a coordenação do especialista em reprodução assistida, Mats Brännström. Em junho deste ano, outros quatro nascimentos foram registrados dentro do mesmo projeto.

Dr. Giuliano Borrelli, do Departamento de Ginecologia e Obstetrícia da Universidade de São Paulo (USP), que acompanhou o trabalho de Brännström nos congressos internacionais, explicou que um dos motivos que fez que a Suécia fosse pioneira no transplante de útero é a proibição no país da “barriga de aluguel”. O método determina que o óvulo fertilizado seja transferido a um útero de uma outra mulher. “Ou seja, as suecas com dificuldades para engravidar não tinham, até o início da realização do transplante de útero no país, nenhuma possibilidade de ter filhos próprios”, sublinha.

Brasil pode ser resistente ao procedimento

No Brasil, ainda não há pesquisa sobre transplante de útero. Para Borrelli, a autorização da barriga de aluguel e o fato de que o transplante de útero não seja realizado com o objetivo de salvar vidas, são fatores que podem atrasar a realização deste tipo de intervenção no país. “Embora nós, médicos, estejamos conscientes da importância desse procedimento, pode-se argumentar que o transplante de útero são duas cirurgias complexas, realizadas simultaneamente na doadora e na receptora, com três equipes trabalhando ao mesmo tempo e 18 horas de operação, em média, e sem essa justificativa da necessidade de salvar vidas”, analisa o especialista.

Mas Borrelli acredita que quando a técnica do transplante de útero sair da fase de testes, começará a ser disseminada e realizada em outros países. “Se esse procedimento começar a ser realizado em outros centros, aí começaremos a discutir essa possibilidade também no Brasil que, por exemplo, é líder mundial em transplante de fígado. Mas é preciso levar em consideração que o transplante de útero ainda é uma técnica experimental”, conclui.

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