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Correspondente em Buenos Aires: “só uma hecatombe tira a vitória de Macri”

Se as pesquisas de opinião estiverem certas, Mauricio Macri será eleito no próximo domingo (22) presidente da Argentina, pondo fim a 12 anos de sucessivos governos Kirchner. Esse resultado marcaria uma histórica mudança no país, dando início a um novo ciclo que poderia ainda ter consequências no mapa político regional. A presidente Cristina Kirchner já começa a se preparar para a retirada aumentando gastos públicos e nomeando aliados para postos-chave.

Márcio Resende, correspondente da RFI Brasil em Buenos Aires.

Somente uma hecatombe poderia impedir que Mauricio Macri seja eleito presidente da Argentina no domingo. Absolutamente todos os analistas e todas as sondagens indicam uma vitória de Macri sobre o candidato de Cristina Kirchner para a continuidade, Daniel Scioli. A única dúvida é de quanto será a diferença que Macri vai conseguir. A dimensão da vitória é importante para definir a força do capital político necessário para conduzir uma série de reformas estruturais no país.

A chamada "campanha do medo" que Scioli promoveu contra Macri ao longo do último mês pode até ter conseguido diminuir essa vantagem, mas não reverteu o resultado. Ou seja: segundo as pesquisas, a eleição está definida. Só falta saber por quanto.

Campanha do medo

O candidato da presidente Cristina Kirchner adverte a cada minuto que a vitória da oposição de centro-direita vai significar um cataclismo econômico com ajuste, desvalorização, endividamento e o fim dos programas sociais assistencialistas. Ao longo do último mês, depois do primeiro turno, Scioli deixou de falar sobre si mesmo para se dedicar unicamente a alertar sobre o que Macri faria.

Na quinta-feira (19), por exemplo, no seu comício final de campanha, Scioli denunciou um pacto de Macri com os diabos do capitalismo. Os diabos, segundo Scioli, seriam os fundos especulativos, o FMI e o mercado financeiro em geral. A estratégia de Macri para neutralizar a campanha do medo foi interpretar como "o desespero do perdedor".

Com um discurso vazio e baseado em slogans, Daniel Scioli não propôs nenhuma medida. Fala em "correções graduais", mas não diz quais. Promete uma nova fase que passe "do crescimento econômico ao desenvolvimento" num país que não cresce há quatro anos, com um déficit fiscal de 8%, inflação anual de 30% e com um Banco Central quebrado.

O próximo governo, seja qual for, está obrigado a um forte ajuste porque simplesmente acabaram-se os dólares das reservas. Essa é a herança de Cristina. O projeto político conhecido como "kirchnerismo" está esgotado.

Cristina abandona o barco

O governo trabalhava com a hipótese de vitória no primeiro turno em 25 de outubro. O resultado apertado a favor de Scioli, apenas três pontos de vantagem, indicou que a campanha de Macri ganhava voo enquanto a de Scioli estava próxima do seu teto. Cristina Kirchner começou a aplicar um silencioso plano de retirada.

Habituada a convocar redes nacionais de rádio e TV duas ou três vezes por semana ao lado do seu candidato, Cristina Kirchner sumiu do radar eleitoral. A estratégia visava não só permitir que Daniel Scioli demonstrasse um mínimo de autonomia, mas também preparar o terreno para uma derrota. Encapsular o resultado adverso das urnas como culpa apenas de Scioli e mostrar-se como líder de uma oposição a Mauricio Macri.

Durante o último mês, numa verdadeira operação "salve-se quem puder", Cristina Kirchner criou milhares de novos cargos para dar refúgio político aos seus militantes, para condicionar financeiramente a próxima administração e para ocupar cargos estratégicos durante o próximo governo Macri. Novos embaixadores políticos foram designados e mais de 5 mil postos foram criados em Ministérios, Embaixadas, organismos oficiais e dependências públicas. Ela também pretendeu designar centenas de juízes militantes.

Golpe para a esquerda populista

A derrota de Cristina Kirchner é um duro golpe para a esquerda populista sul-americana e abre uma nova perspectiva na região. O fim do regime kirchnerista representa a perda de um aliado incondicional do socialismo bolivariano que engloba Venezuela, Equador, Bolívia e Nicarágua. A chegada de Mauricio Macri privaria o presidente venezuelano, Nicolás Maduro, de um apoio incondicional em caso de fraude nas eleições venezuelanas de 6 de dezembro.

Macri já disse que é contra “re-re-reeleições”, em referência ao governo do boliviano Evo Morales que, em fevereiro, vai convocar um plebiscito para aprovar a sua candidatura em 2020, num quarto mandato consecutivo até 2025, totalizando 20 anos no poder.

Ainda sobre a Venezuela, para Macri, o silêncio dos países do Mercosul beira à cumplicidade. Ele anunciou que vai pedir a suspensão da Venezuela do bloco, baseado na "cláusula democrática" que permite a suspensão do membro onde a democracia não for plena. Macri diz que não há democracia na Venezuela com os constantes abusos do poder, presos políticos e a participação de militares no governo.

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