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Manifestantes contra a COP 21 criticam proibição de realizar protestos

Por Augusto Pinheiro

Uma manifestação neste domingo (29) contra a Conferência Mundial do Clima, que começa nesta segunda-feira (30) em Paris, acabou em violência entre policiais e manifestantes na Praça da República, no centro da capital francesa. Por conta do estado de emergência decretado após os atentados de 13 de novembro, que deixaram 130 mortos, manifestações públicas estão proibidas na França. Mais de 200 pessoas foram detidas.

A marcha original que estava programada, organizada pela coalizão Climat 21, que reúne 130 ONGs, foi cancelada. No lugar dela, as associações Attac e Alternatiba tiveram a ideia de convocar uma "corrente humana", uma caminhada pela avenida Voltaire, entre a Praça da Nação e a Praça da República, que reuniu milhares de pessoas. Aos grupos ecologistas, uniram-se manifestantes mascarados antissistema.

Na Praça da República, a polícia bloqueou as ruas nos arredores, e alguns manifestantes tentaram forçar a passagem, atirando sapatos e garrafas nos agentes. Os policiais responderam com gás lacrimogêneo e chegaram a usar os cassetetes.

O músico e fotógrafo Romain, de 32 anos, disse que está nas ruas contra a proibição de se manifestar. "Na minha opinião, é um pretexto para eclipsar a COP21, para que os parisienses não saiam às ruas. Estamos vendo muito bem como vai a liberdade de expressão na França. Quando saímos às ruas, há esses caras de capacete, que pagamos todos os meses com nosso dinheiro, que nos batem e atiram bombas de gás lacrimogêneo", disse. "A nossa manifestação é pacífica, desobediente e contestatória. O povo francês é soberano, laico e republicano e continuará assim para sempre."

Tremendo e chorando

A artista plástica Agathe, de 27 anos, que tremia e chorava após ser atingida com gás no rosto, disse que "a situação era muito dolorosa". "É ainda mais doloroso porque sou uma pacifista. Eu queria simplesmente passar pela barreira policial, que bloqueia a rua, impedindo que a nossa passeata continuasse. Eu fiz um sinal da paz para mostrar que eu não sou violenta, e eles jogaram gás lacrimogêneo na minha cara."

Ela explicou, emocionada, o motivo da sua presença na manifestação: "Eu vim aqui porque sou mãe de um menina de 4 anos. Está fora de questão que a minha filha cresça em um mundo assim, fora de questão! E eu vou lutar até o final por ela, até o final".

Mas Agathe afirma que também participa da manifestação pela questão climática. "Basicamente é uma manifestação pelo clima, pelo planeta, para que os humanos vivam finalmente como humanos, e não como esses cretinos que poluem a Terra, que exploram o petróleo, todas essas idiotices, as emissões dos carros... É uma reunião pacífica, mas ao mesmo tempo, contra esse estado de emergência imposto, completamente escandaloso, com 1.300 detenções desde os atentados."

Sua amiga, a dançarina Melissa, de 26 anos, também com o rosto vermelho, a garganta arranhando e os olhos lacrimejando, se define como ecologista.
"Sou inteiramente pró-ecologia, a natureza é minha vida, sem ela não podemos avançar. Primeira vim me manifestar por isso e, além disso, contra a proibição de se manifestar por causa dos atentados. O estado brinca com a nossa cara."

Ele conta que foi agredida pelos policiais. "Eles jogaram gás lacrimogêneo diretamente na minha cara. Levei um chute, dois socos. Quantos mais somos gentis, mais apanhamos. É a França", critica.

Instalação de sapatos

Na praça da República foi montada uma instalação com milhares de pares de sapatos, representando os manifestantes que não puderam se reunir para a marcha original em defesa do clima, que foi cancelada e poderia ter reunido até 200 mil pessoas. Sapatos do papa Francisco e da atriz Marion Cotillard fazem parte da instalação. Eles serão recolhidos depois por associações de caridade.

O par de sapatos do papa Francisco foi depositado pelo cardeal brasileiro Cláudio Hummes. Ele foi enviado pelo Vaticano a Paris, especialmente para transmitir a reivindicação da Igreja Católica por mais justiça social e climática. Foram esses sapatos que foram utilizados pelos manifestantes contra a polícia.

 

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