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Governo da China chega à COP 21 com pico de poluição no país

Por Luiza Duarte

Enquanto Paris recebe nesta segunda-feira (30) cerca de 150 chefes de Estado e de Governo para a Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP 21), a China, maior emissora de gás de efeito estufa do mundo, enfrenta uma nova onda de poluição. Os níveis alarmantes de poluentes no ar das principais cidades do norte do país reforçam o papel decisivo da nação asiática para que um acordo real sobre o clima seja assinado.

Correspondente da RFI em Hong Kong

Os episódios de poluição são recorrentes nos últimos anos no gigante asiático. A China enfrenta um novo pico de poluição do ar que só deve se dissipar na quarta-feira (2), com a chegada de uma frente fria. No domingo (29), as autoridades chinesas emitiram em Pequim e no norte da China o alerta de poluição atmosférica mais elevado do ano.

O "nível laranja" é o segundo mais alto possível e exige que fábricas reduzam ou suspendam a produção. Crianças e idosos são aconselhados a ficar em casa, atividades ao ar livre são canceladas em escolas e contra indicadas mesmo para quem não faz parte dos grupos de risco.

Poluição é problema de saúde pública

A poluição do ar é um problema de saúde pública no país, onde estima-se que mais de 1 milhão de pessoas morram todos os anos prematuramente de doenças ligadas à má qualidade do ar. Segundo um estudo da Universidade da Califórnia, publicado neste ano, diariamente 4 mil pessoas são vítimas fatais da poluição na China.

A alta concentração de micropartículas poluentes coloca em risco todos os dias milhões de habitantes das grandes cidades chinesas, principalmente na região nordeste do país, onde se concentram indústrias pesadas e minas de carvão.

No início do mês, a mídia chinesa denunciou o excessivo grau de poluição na cidade de Shenyang (nordeste). O município teria registrado o “pior índice já verificado no país”, com o índice que mede a concentração de micropartículas no ar por metro cúbico (PM 2.5), as mais nocivas para a saúde, chegando a 1400. A Organização Mundial da Saúde (OMS) considera que 25 é a concentração aceitável como não nociva para a saúde.

Os episódios de intensa poluição são mais frequentes no inverno. A queima de carvão para aquecedores domésticos e para produzir energia é uma das grandes responsáveis pela degradação da qualidade do ar na segunda maior economia do mundo.

No último ano, o ministério chinês da Proteção Ambiental revelou que quase 90% das principais cidades chinesas estão fora dos padrões de qualidade do ar definidos pelo governo.

Chineses despertam para a consciência ecológica

Em 2014, o primeiro-ministro chinês, Li Keqiang, afirmou que o país está em guerra contra a poluição. Desde então, diversos programas e incentivos têm sido anunciados para reduzir as emissões de poluentes, mas o caminho é longo e muito precisa ainda ser feito. Os chineses despertam para a consciência ecológica. As medidas são recentes e precisam ser acompanhadas de mecanismos de controle e da participação dos cidadãos.

O uso do carvão é apontado como o grande vilão. Ele é responsável por quase dois terços do mix de energia da China. O país é o principal consumidor da matéria-prima, mas as usinas térmicas – quase todos a carvão – têm reduzido a utilização do mineral no último ano. A desaceleração da economia chinesa tem contribuído igualmente para isso.

O governo tem multiplicado as declarações em favor de medidas para reduzir a poluição. Entre elas, o corte no consumo de carvão e a construção de “eco-cidades”. Um desses projetos é a “Tianjin Eco-City”, programa bilionário liderado pelos governos da China e de Cingapura, que não deve ser concluído antes de 2020. Ele pretende transformar o município industrial de Tianjin, a 150 km da capital, em cidade-modelo no uso de tecnologias sustentáveis. A "cidade verde" deveria abrigar 350 mil pessoas, mas após cinco anos de obras apenas 6 mil pessoas se instalaram em Tianjin. Outros projetos de cidades modelos foram abandonados por corrupção e conflitos políticos, como o de Dongtan, nas proximidades de Xangai.

Xangai também anunciou investimentos de US$ 16,3 bilhões, nos próximos três anos, em mais de 200 projetos antipoluição. As iniciativas reforçam a tendência de estimular ações locais para reduzir a poluição e conter a mudança climática. É no plano das cidades que muitos países apostam, a fim de incentivar o uso de energia renovável, reciclagem de dejetos, a reutilização e redução do uso de recursos naturais e a criação de condições para o desenvolvimento do transporte verde.

Exigências da China na COP 21

O chefe das negociações climáticas da China, Su Wei, afirmou às vésperas da abertura da conferência que defende um acordo com peso jurídico. Essa também foi a posição defendida pelo governo chinês em sua declaração conjunta com a França no início deste mês.

A China quer que o documento final, que deve ser apresentado no dia 11 de dezembro, contenha metas e que “obrigue países desenvolvidos a assumir a liderança na redução das emissões de carbono e a fornecer apoio financeiro e tecnologia para países em desenvolvimento”. No entanto, Su Wei lembra que uma série de divergências ainda precisam ser superadas. A maior delas é a “responsabilidade diferenciada”, que a China defende em relação aos cortes que cada país terá que fazer para conter a mudança climática.

Em junho, a China apresentou às Nações Unidas seu plano de ação para a redução da poluição e se comprometeu a trabalhar para a assinatura de um acordo robusto durante a COP 21. O documento promete reduzir as emissões de dióxido de carbono e expandir a quota de combustíveis não fósseis.

Os investimentos chineses em energia verde saltaram para US$ 90 bilhões no último ano, mais de um quarto do investimento mundial em tecnologia verde. No entanto, atualmente, apenas cerca de 1% da matriz energética da China é composta de energia solar. Até 2030, o governo chinês afirma que vai investir US$ 2,5 trilhões em projetos de energia limpa.

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