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Panama Papers revela subterrâneo da evasão fiscal, diz imprensa francesa

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Capa dos jornais franceses Libération, Aujourd'hui en France e La Croix desta terça-feira, 05 de abril de 2016.

O escândalo Panama Papers ganhou destaque em todas as manchetes da imprensa francesa desta terça-feira (5), que traz análises e reações dos principais protagonistas do maior vazamento de um esquema de evasão fiscal já registrado.


É um verdadeiro assalto planetário, diz em sua manchete Le Parisien sobre o escândalo envolvendo chefes de Estado, empresas e até esportistas. O jornal destaca dez personalidades acusadas de desvio de dinheiro por meio de um sofisticado sistema gerenciado pelo escritório de advocacia panamenho Mossack Fonseca, que está no coração deste escândalo financeiro. Entre eles, o presidente russo Vladimir Putin, que não teve seu nome diretamente citado, mas seus amigos íntimos teriam desviado até € 1,7 bilhão com ajuda de bancos e empresas de fachada.

Colaboradores do presidente Xi Jinping e altos dirigentes do Partido Comunista Chinês também recorreram a empresas fantasmas pra disfarçar suas fortunas, diz o texto. Até o jogador do Barcelona, Lionel Messi, aparece na lista com uma empresa criada no Panamá junto com seu pai para desviar dinheiro obtido pelo direito de imagem, o que o astro argentino nega.

Le Parisien explica que o Panamá, com apenas 3,7 milhões de habitantes, é conhecido pelos especialistas como "a ovelha negra" do sistema financeiro e considerado “paraíso fiscal ao extremo”. O porta-voz do Sindicato da Direção de Finanças Públicas da França explica ao jornal que os estrangeiros procuram o pequeno país da América Central por causa da discrição, da falta de cobrança de taxas sobre o dinheiro de estrangeiros no país e porque as autoridades não colaboram com outros países na troca de informações.

“Paraíso das sombras”

Libération afirma que a revelação maciça de documentos feita pelo Consórcio Internacional de Jornalistas Investigativos sobre o uso de empresas offshore para fraude fiscal provocou um verdadeiro “terremoto em escala mundial”.

O jornal relembra história da empresa criada em 1977 por Ramon Fonseca para ajudar personalidades a esconder dinheiro e fugir de impostos em seus países. Nove anos depois, ele se juntou a outro escritório de consultoria, Jurgen Mossack, com quem construiu um verdadeiro “império das sombras”, segundo o jornal.

Fonseca Mossack se tornou a “porta de entrada de um mundo subterrâneo onde convivem barões da droga, mafiosos, políticos corrompidos, banqueiros e até esportistas que buscam otimização fiscal”, diz o texto.

O Panamá é uma “lavanderia de luxo” cinco estrelas com pelo menos 113 mil empresas offshore. Em editorial, Libération elogia a revelação feita pela imprensa de vários países a partir dos documentos obtidos pelo jornal alemão Süddeutsche Zeitung. Escândalos anteriores, como o caso o WikiLeaks, permitiram recuperar bilhões de dólares de evasão fiscal, lembra Libération. Por isso, o caso Panama Papers servirá para combater a fraude fiscal.

No entanto, constada o editorial, quando um paraíso fiscal se torna mais controlado, outro aparece. Esse trabalho de moralização tem um aspecto de Sísifo, escreve Libé, em referência ao personagem da mitologia grega castigado a fazer um trabalho que nunca terá êxito nem fim. Mas, como diz o filósofo, é preciso imaginar Sísifo feliz, conclui o editorial do Libération.

Bancos como a Société General, UBS, HSBC, Deutsche Bank, Nordea e Credit Suisse são apontados em um vazamento maciço de documentos no escândalo Panama Papers. SCANPIX SWEDEN AFP / AFP

França abre inquérito

Le Figaro informa que a justiça francesa abriu um inquérito preliminar sobre lavagem de dinheiro relacionada a fraudes fiscais após a revelação do escândalo Panama Papers. O trabalho feito por 370 jornalistas durante um ano identificou nada menos que 140 personalidades com dinheiro em paraísos fiscais.

O vasto esquema de evasão fiscal envolve principalmente lideranças políticas, afirma o diário, citando nomes como o do primeiro-ministro da Islândia, Sigmundur David Gunnlaugsson e também do presidente ucraniano Petro Poroshenko. Le Figaro destaca a reação do presidente francês, François Hollande, que elogiou o trabalho da imprensa e garantiu que os agentes do governo irão investigar as denúncias que farão muito bem à moral e aos cofres do Estado.