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Manassés de Sousa, músico: "Minha relação com a França é muito forte"

Por Leticia Constant

Do Ceará para o mundo. Assim pode-se definir o percurso de um dos maiores violonistas brasileiros, Manassés de Souza, que está atualmente em Paris para uma série de shows. Ele se apresenta nesta quarta-feira (29) na Livraria Les Nouveautés e no Bar Planète Mars, musicando duas leituras de textos de Socorro Accioli; na sexta-feira (31), ele mostra suas composições em um concerto no Espaço Krajcberg.

 

O amor de Manassés de Souza pela música começou aos 4 anos em Maranguape, no interior do Ceará, onde passou a infância. Ao invés de jogar bola, ele preferia tentar tocar escondido o violão do irmão mais velho, que tinha muito ciúme do instrumento. "Até que um dia ele chegou em casa mais cedo e me pegou com o violão. Ficou furioso, me deu uns tapas, chamou meu pai, que também ficou bravo, então, eu disse que já estava tocando. Eu tinha só quatro anos, e meu pai respondeu "Então toca!", lembra Manassés, contando que interpretou a música de roda "Teresinha de Jesus". A partir daquele dia, seu pai o autorizou a tocar o violão do irmão e ele continuou os estudos.

Sua primeira apresentação pública não demorou. O pai o levou a uma praça em Fortaleza e pediu para ele tocar; as pessoas se amontoaram para ver o menininho talentoso e o pai passou o chapéu, conseguindo bastante dinheiro. No mesmo dia, ele levou Manassés a uma loja de instrumentos e comprou para ele o seu primeiro violão.

Ponte entre Brasil e França

Manassés de Sousa foi para São Paulo em 1975, onde vivia em condições modestas com o cantor Belchior, seu amigo. Um dia, um brasileiro que morava na França apareceu na casa em busca de músicos para levar para Paris. Esta foi a oportunidade para o cearense atravessar o Atlântico e viver sua primeira aventura internacional.

Na capital francesa, ele tocou com nomes conhecidos na época como a dupla de travestis brasileiros Les Étoiles e a cantora Nazaré Pereira. Logo seu talento o levou a acompanhar artistas franceses populares como Georges Moustaki, Claude Nougaro e Bernard Lavilliers, com quem compôs várias músicas. Outros nomes vieram se somar ao seu leque de colaborações, entre eles, Naná Vasconcelos, Luiz Gonzaga, Chico Buarque, Elba Ramalho e até o consagrado violonista espanhol Paco de Lucia, um dos reis do flamengo.

Na vida pessoal, Manassés se casou com uma francesa e teve um filho, que toca flauta e mora em Paris. "Minha relação com a França é uma coisa muito forte. Além da ligação familiar, tenho uma ligação com a própria cultura francesa, que gosto muito, e agora tenho netos, então, a tendência é isso ficar mais forte e eu vir mais para mostrar a minha música, o que é muito importante também", ele diz.

Hoje,o artista vive entre Brasília e Ceará e espera vir à França com mais frequência "para ver os netinhos crescerem".

Mana Mano, o primeiro disco solo e "brilhante"

Manassés veio mostrar em Paris seu último álbum, "Mana Mano", em que prima o violão de 12 cordas: "Posso dizer que este é um dos trabalhos que fiquei mais feliz de ter feito porque fiz sozinho, gravei todos os violões. Fiz esse disco com muita consciência e muita tranquilidade, e gravei em Brasília em um dos melhores estúdios do Brasil. A sonoridade do meu instrumento realmente 'chegou' nesse disco, fiquei muito satisfeito, a sonoridade parece realmente brilhante", ressalta o músico.

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