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Revista do jornal Le Monde elogia Anitta, a “Beyoncé carioca”

Por Silvano Mendes

A revista M do jornal francês Le Monde traz em sua edição desta semana uma reportagem sobre a cantora Anitta. Com o título “Beyoncé carioca”, o texto explica como a brasileira se tornou, graças ao clip da música Vai Malandra, um fenômeno planetário.

A correspondente de Le Monde no Brasil relata que o vídeo, postado em dezembro no YouTube, alcançou em apenas 12 horas a 16ª posição no ranking do Spotify’s Viral Charts no Brasil e que continua, quase três meses depois, entre os 200 títulos mais ouvidos no mundo. “Vista 203 milhões de vezes no YouTube em meados de fevereiro, a canção confirma o sucesso desta que é descrita como a “Beyoncé do Brasil”, diz o texto.

A reportagem explica que Anitta é uma verdadeira representante do funk brasileiro, “um movimento seguido de perto pelos especialistas musicais”. Afinal, comenta a correspondente, esse ritmo que antes era restrito aos bailes das favelas e às “tórridas discotecas da periferia de São Paulo”, ultrapassa finalmente suas fronteiras. Sandra Jimenez, que dirige o departamento de música do YouTube na América Latina, afirma que “2017 foi o ano em que os talentos brasileiros quebraram a barreira da língua”. E seguiram o exemplo de Anitta nomes como MC Kevinho ou MC Fioti, lista o texto.

A correspondente entrevista Carlos Palombini, professor de musicologia na Universidade Federal de Minas Gerais. Segundo ele, “o funk brasileiro mudou desde o início dos anos 2010, deixando de lado sua origem agressiva, reivindicativa e cheia de palavrões, para usar códigos da pop, mais melodiosa e mais fácil de exportar”.

Porém, comenta a reportagem, Anitta teria algo a mais. “Ela encarnaria de alguma forma a sociedade brasileira contemporânea” diz o texto.  Citando o crítico musical do site G1, Braulio Lorentz, o texto afirma que Anitta “soube seduzir as meninas de todas as classes sociais” e que a cantora seria um símbolo do empoderamento feminino.

A correspondente termina se perguntando se Anitta poderia ser considerada como uma figura feminista. E completa analisando que, mesmo se a carioca adota os códigos da mulher-objeto, ela também assume, sem complexo, suas celulites nos primeiros dez segundos do clip Vai Malandra. “Um ato militante”, resume a reportagem da revista M.

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