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Festivais de rock neonazistas se multiplicam na Alemanha

Por Márcio Damasceno

A pequena cidade de Themar, na Alemanha, se prepara para receber neste fim de semana um festival de rock neonazista. O evento reuniu no ano passado cerca de 6 mil pessoas e causou polêmica no país. Após uma tentativa de proibir o show, a Justiça alemã deu sinal verde, apesar de protestos de moradores e da administração local.

Márcio Damasceno, correspondente da RFI em Berlim

O festival não se define oficialmente como um "evento neonazista", até porque símbolos ligados ao regime são proibidos na Alemanha. Por isso, os organizadores classificam o show de "reunião política", um direito protegido pela liberdade de expressão, contanto que não sejam mostrados emblemas nazistas ou realizadas declarações racistas ou que incitem ao ódio.

Esse foi um dos pontos que fez com que o festival do ano passado registrasse quase dezenas de ocorrências policiais. Quase 90 pessoas foram indiciadas e ainda há processos na justiça por causa de supostas saudações nazistas e gritos de “heil, Hitler”. Exibições de bandeiras e outros adereços com a suástica também foram usados. Entre os acusados há cidadãos de países como a Polônia, a República Tcheca e a Eslováquia.

Pássaros em perigo

Para tentar proibir o evento, o governo regional argumentou que o festival, que ocorre numa área rural, é uma ameaça a espécies de pássaros raros da região. Mas a ação foi rejeitada pela justiça.

O festival ocorrerá nesta sexta (8) e sábado (9) no estado da Turíngia, na região da antiga Alemanha Oriental, onde está localizada a cidade de Themar. Nessa parte do país, partidos populistas de direita, como a Alternativa para a Alemanha (AfD), costumam obter mais votos. O evento ocorre justamente no terreno de um ex-integrante da AfD.

Themar, um vilarejo de cerca de 3 mil habitantes, saiu do anonimato no ano passado quando reuniu cerca de 6 mil neonazistas de toda a Europa durante a primeira edição do festival de rock.

O principal organizador do festival é o dono de um restaurante local que nos últimos anos se tornou ponto de reunião de neonazistas. O estabelecimento, chamado Goldener Löwe (Leão Dourado) costuma oferecer um cardápio especial em homenagem a Adolf Hitler, no dia do aniversário do ex-ditador nazista.

Extrema-direita tira proveito

Segundo o jornal alemão Der Spiegel, o número de eventos organizados pela extrema-direita aumentou muito nos últimos anos. “Estamos no mais alto nível desde 2005”, afirma a publicação. “A extrema-direita usa esses shows para fidelizar um máximo de jovens”, afirmou a professora de estudos germânicos, Valérie Dubslaff. O jornal Berliner Zeitung revelou que em 2017, o número de shows da extrema-direita dobrou de um ano para o outro, chegando a 46.

O festival vai contar com um esquema de segurança reforçado. Diversas entidades e políticos de esquerda estão organizando protestos contra o festival e a tensão costuma aumentar nessas ocasiões.

Há até mesmo uma campanha convocando as pessoas a reservarem quartos de hotel na região para que os neonazistas tenham dificuldades para achar hospedagem. Muitas vezes as reuniões de ultradireita na Alemanha são ofuscadas por protestos reunindo muito mais ativistas da oposição. A expectativa é que a participação de grupos antinazistas seja maior nesse ano do que no ano passado.

As autoridades também estarão atentas caso ocorram abusos, como a exibição de símbolos nazistas ou a execução de músicas proibidas que incitem ao ódio racial.

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