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Presidente do Uber aposta em carros voadores em menos de dez anos

Por Silvano Mendes

A revista francesa Le Point desta semana traz uma longa entrevista com Dara Khosrowshahi, o presidente do Uber. O executivo defende o termo “uberização”, diz que a revolução dos transportes vai reduzir as desigualdades no mundo e afirma seguir os passos da Amazon, gigante da venda online.

Com foto na capa e o título “Esse homem vai nos fazer mudar de vida”, a revista traz uma entrevista de seis páginas com Khosrowshahi, nas quais ele fala da revolução do trabalho e dos transportes. Para o executivo, o termo “uberização” é algo redutor, pois sua empresa tenta apenas “transformar nossos trajetos acessíveis a todos, em qualquer lugar, independentemente do local onde se vive e do fato de poder ou não comprar um carro”.

O presidente continua apontando que “a possibilidade de se locomover é um direito humano”, mesmo se frisa que, como empresário, isso também representa para ele “uma ótima oportunidade de negócios”.

O executivo continua seu argumento tomando como exemplo a cidade de Nova York, onde “95% dos táxis se concentram em Manhattan, enquanto 50% das corridas feitas pelo Uber são realizadas fora da ilha, em regiões que contam com menos estações de metrô”. Segundo ele “quanto menos você beneficia de mobilidade, menores são suas oportunidades”.

Khosrowshahi vê a “uberização” como um ator de “igualdade social”. Mas é ciente das críticas que sua empresa suscita, e lembra que Uber vem mudando sua postura no que diz respeito à proteção dos motoristas, principalmente com a implementação em alguns países de seguros específicos. “São proteções que nós devemos pagar, e não nossos motoristas”, se defende.

Um mercado de US$ 6 trilhões no mundo

Porém, não esconde suas ambições, calcado no modelo da Amazon. “Nossa empresa visa um mercado de US$ 6 trilhões no mundo. É quase o equivalente da grande distribuição”, compara. “E se você tem um mercado tão importante, os investidores estão sempre dispostos a te apoiar”, explica.

Essa expansão, segundo Khosrowshahi, também pode vir como novas tecnologias, como carros capazes de voar. “Dentro de dez anos vamos começar a assistir o desenvolvimento de redes de táxis voadores”, aposta.

O executivo lembra que atualmente metade da população vive em cidades e, dentro de vinte ou trinta anos, eles serão dois terços. E com o desenvolvimento de residências e cidades cada vez mais verticais, nada mais lógico que investir no transporte aéreos. “Nosso objetivo é trabalhar com parceiros para elaborar essa tecnologia, mas também garantir que ela seja acessível a todos, e não apenas às elites”, promete Dara Khosrowshahi nas páginas da revista francesa Le Point.

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