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Revista francesa questiona se “casamento” entre Bolsonaro e Guedes vai funcionar

Por RFI

A revista francesa Week-End, que faz parte do jornal econômico Les Echos, traz uma longa reportagem sobre o ministro brasileiro da Economia, Paulo Guedes. O correspondente do veículo no Brasil conta em quatro páginas como o economista convenceu o atual presidente Jair Bolsonaro a aderir a suas ideias ultraliberais, apesar das possíveis divergências entre os dois.

O jornalista relata o primeiro encontro entre Guedes e Bolsonaro, em 2017, quando o atual presidente ainda era apenas um outsider. “Você cuida da ordem e eu do progresso”, teria dito Guedes, parafraseando a divisa da bandeira brasileira. Os dois homens logo se entenderam bem e o economista ajudou a construir a imagem do candidato junto aos mercados internacionais.

“O ex-banqueiro foi propulsado à frente de um super-ministério que deve lhe permitir colocar em prática seu credo do Estado mínimo”, comenta o correspondente, explicando a filosofia econômica de Guedes, formado na escola ultraliberal de Chicago. “Uma bela revanche para este ser brilhante que, há anos, se julgava pouco reconhecido” por seu talento, continua o texto, lembrando que apesar do sucesso nas altas esferas das finanças, Guedes nunca conseguiu um cargo político de peso.

Mas o correspondente se questiona sobre o que realmente pretende fazer o ministro. “Ele, que redigia relatórios contra as políticas dos governos anteriores, quer mudar totalmente o modelo da economia brasileira”, explica a reportagem, antes de listar as possíveis medidas, que incluem a redução da dívida por meio de privatizações, o corte de gastos públicos e a abertura da economia nacional, considerada muito fechada.

Fórmula mágica de Guedes pode não funcionar

Mas o novo ministro terá que convencer nos pontos onde seus antecessores falharam, analisa o correspondente. “Começando pela reforma da aposentadoria, que ele pretende lançar rapidamente, aproveitando a lua de mel que o governo vive com a opinião pública”

“Mas a fórmula mágica de Guedes pode não ser engolida tão fácil”, pondera o correspondente. Principalmente porque, segundo algumas fontes ouvidas pelo jornalista, certas medidas anunciadas pelo ministro são impraticáveis e seu programa de privatizações seria inviável.

Já outros especialistas ouvidos pelo correspondente temem pela falta de experiência política de Guedes. “Mas seus partidários rebatem, lembrando que ele está cercado por uma equipe que sabe governar”, frisa o correspondente.

Quem se aproveita de quem?

No entanto, o principal ponto desconhecido nessa história é a relação entre Guedes e Bolsonaro, duas personalidades de temperamento forte, que discordam sobre vários aspectos. O ministro defende a abertura para capitais estrangeiros, enquanto o presidente reclama que a China estaria comprando o Brasil. Além disso, Bolsonaro já disse que não queria privatizar a Petrobras nem vender grandes bancos públicos, enquanto Guedes vê na privatização uma de suas armas, relata a revista do Les Echos.

Mas “Bolsonaro precisava de alguém que lhe desse uma certa legitimidade no mundo das finanças, enquanto Guedes há tempos buscava um político competitivo capaz de colocar suas ideias em prática”, diz um dos entrevistados. Então nesse contexto, até agora ambos saíram ganhando e, por enquanto, é impossível dizer quem se aproveita de quem, pode-se ler nas páginas da revista Week-End.

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