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Um pulo em Paris
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Incêndio em Notre-Dame levanta debate sobre preservação do patrimônio na França

Por Silvano Mendes

As causas do incêndio na Notre-Dame de Paris na segunda-feira (15) ainda não foram descobertas. Mas o acidente, de destruiu o telhado do famoso monumento francês, tem levantado o debate sobre a preservação do patrimônio do país. Associações vinham alertando há anos para falta de verba para a conservação da catedral.

Há anos a Associação dos Amigos de Notre-Dame apontam para a degradação da catedral. A fachada havia sido restaurada em 1990, mas a situação do telhado preocupava. Em 2016, a cabeça de uma das gárgulas que adornam a catedral chegou a despencar na calçada, a alguns metros de um turista que passava nos arredores.

Desde 2017, a associação já vinha pedindo ajuda a ricos mecenas americanos para manter o monumento. A entidade havia conseguido a verba, que estava sendo usado na reforma iniciada no ano passado. No entanto, essa mesma associação agora se questiona se a obra não começou tarde demais.

Como a maioria das catedrais da França, a Notre-Dame pertence ao Estado francês, que é responsável pela sua preservação. Segundo especialistas, a manutenção do monumento custa cerca de € 150 milhões para um período de 20 anos (€ 7 milhões por ano). No entanto, o governo disponibiliza anualmente apenas € 2 milhões.

O investimento do Estado vem diminuindo com o passar do tempo. Quando o ministério da Cultura francês foi criado, no final dos anos 1950, 30% de seu orçamento era dedicado à preservação do patrimônio. Atualmente, apenas 9% do envelope é gasto com os monumentos.

Outros monumentos já pegaram fogo

A Notre-Dame não é o primeiro monumento francês vítima das chamas. Em março desse ano, a igreja de Saint Sulpice – a mesma que acolhe, agora, provisoriamente, as missas de Notre-Dame – registrou um foco de incêndio em sua porta de entrada. Mas o fogo foi rapidamente controlado.

Há dez anos as chamam quase destruíram a Ópera de Versalhes, enquanto, em 2013, um foco de incêndio foi registrado no telhado da Biblioteca Nacional. O fogo foi contido, mas poderia ter representado outra tragédia, já que o prédio arquiva algumas obras e manuscritos que não existem em mais nenhum lugar do mundo.

Alguns especialistas também reclamam do fato de que os mecenas privados preferem investir em obras de restauração visíveis, como o teto de Palácio de Versalhes. No entanto, quando o assunto é dar dinheiro para manutenções mais práticas, como a regularização do sistema elétrico de um monumento, as doações são bem menores, declarou à revista Le Point o historiador de arte Alexandre Gady. “Se quisermos evitar dramas e uma degradação irremediável, é melhor gastar com obras necessárias do que desperdiçar dinheiro renovando as partes douradas”, disse.

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