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Assassinato Bin Laden Estados Unidos Terrorismo

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Ação americana viola direitos humanos, dizem filhos de Bin Laden

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O filho de Bin Laden, Omar Bin Laden, que fugiu do Afeganistão em 1999 Foto: Reuters

Os filhos de Ossama Bin Laden quebraram o silêncio e deram declarações terça-feira sobre a morte do pai. Em um carta publicada no jornal New York Times, eles denunciam a execução arbritrária do líder da Al Qaeda e acusam os Estados Unidos de violação de direitos básicos por executar um homem desarmado, atirar na sua família e jogar o corpo no mar.


O documento foi escrito sob a supervisão de Omar Bin Laden, 30 anos, o quarto dos filhos do chefe da Al Qaeda e autor do livro ‘Minha Vida com Bin Laden’. Ele foi entregue ao jornal pelo escritor Jean Sasson, que ajudou Omar a escrever a obra. Os filhos adultos do líder extremista questionam por que o terrorista não foi preso e levado ao tribunal e citam os julgamentos do ditador iraquiano Saddam Hussein e do criminoso de guerra Slobodan Milosevic. Segundo eles, os princípios de presunção de inocência e o direito a julgamento foram desrespeitados. "Acreditamos que assassinar arbitrariamente alguém não é a solução para problemas políticos", diz o texto.  "A Justiça precisa ser vista para ser feita."

Omar Bin Laden viveu com o pai nas montanhas do Afeganistão até 1999, dois anos antes dos atentados de 11 de setembro de 2001. Ele fugiu com a mãe, Najwa Bin Laden, co-autora do livro, e vive no Catar. Na obra, ele denuncia a violência da rede terrorista e a rotina radical imposta pelo pai, que proibia até mesmo a utilização de medicamentos pelos membros da família. Uma verdadeira provação para Omar, por exemplo, que é asmático.
No documento, e os filhos do líder deixam claro que Omar "sempre discordou com a violência utilizada por Bin Laden, e nunca deixou de enviar mensagens para o pai pedindo que ele mudasse, que civis não deveriam ser atacados em nenhuma circunstância."

De acordo com o texto, apesar das dificuldades impostas por esse dissidência pública entre Omar e o pai, ele sempre condenou ações violentos da rede, e lamentou as vítimas dos ataques. Mas Omar e seus irmãos também lembram que, como ele condenou seu pai, ele também condena agora o presidente dos Estados Unidos por ordenar "a execução de homens e mulheres desarmados."