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Em reação a igrejas evangélicas, Bento 16 prega "mensagem simples"

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Africanos aguardam chegada do papa no Benin. REUTERS/Afolabi Sotunde

O Papa Bento 16 demonstrou hoje preocupação com o aumento das igrejas evangélicas na América Latina e África. Na conversa com jornalistas a bordo do avião que o leva a Cotonou, a capital do Benin, o Papa afirmou que a Igreja Católica precisa oferecer uma “mensagem simples, profunda e compreensível” para reconquistar os fiéis. Esta é a segunda vez que o pontífice visita a África.


Bento 16 justificou a ascensão evangélica por adotar discursos simples, que segundo ele consiste em "sincretismo de religiões". "Isso garante um sucesso, porém também resulta em pouca estabilidade", ressaltou. O religioso disse que é importante que o cristianismo não “imite” estes padrões, mas que não apareça como um “sistema difícil”. Para ele, o catolicismo deve oferecer uma mensagem universal.

O papa permanecerá por três dias no Benin. Na chegada a Cotonou, ele alertou para os riscos da passagem à "modernidade", entre eles a "submissão incondicional às leis do mercado ou das finanças".

“A modernidade (...) deve ser acompanhada com prudência, evitando seus perigos (...), por exemplo, a submissão incondicional às leis do mercado e das finanças, o nacionalismo ou o tribalismo exacerbados e estéreis que podem tornar-se mortíferos, tais como a politização extrema, a tensões religiosas em detrimento do bem comum e, enfim, o esgotamento dos valores humanos, culturais, éticos e religiosos", declarou.

Bento 16 pediu ainda “reconciliação, justiça e paz” nas guerras que ainda existem na África. "Muitas vezes as palavras foram maiores que as intenções, que a vontade de realizar esses acordos." O pontífice lembrou que em 50 ou 60 anos de independência, a maioria dos países africanos tiveram que enfrentar processos muito rápidos de mudança. "A humanidade se encontra em processo cada vez mais rápido de transformação, e para os povos africanos é um processo difícil, que exige a colaboração de todos", ressaltou.

Entretanto, o Papa defende que a África tem muito a mostrar ao mundo. Para ele, o continente tem um "frescor" e "uma juventude cheia de entusiasmo", e que apesar dos problemas, há "uma reserva de vida e de futuro".