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Crise política Egito Governo Manifestação Manifestante Primavera Árabe Protestos

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União Europeia condena uso excessivo da violência contra manifestantes egípcios

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Vista aérea da praça Tahrir, no Cairo, nesta sexta-feira, 25 de novembro. Reuters

Centenas de manifestantes furiosos com a permanência da junta militar no poder no Egito decidiram bloquear, nesta sexta-feira, o acesso da sede do governo ao novo primeiro-ministro, Kamal El Ganzouri. A União Europeia condenou o uso excessivo da violência policial contra os manifestantes, que já deixou 41 mortos e 3 mil feridos desde sábado.


Os militares egípcios nomearam Kamal El Ganzouri no lugar do ex-premiê Essam Charaf, que pediu demissão com o recrudescimento da crise política nos últimos dias. Aos 78 anos, Ganzouri, que é economista de formação, já esteve à frente do governo egípcio de 1996 a 1999, durante o regime do ex-presidente Hosni Moubarak. Ele ganhou a simpatia da população quando criticou Moubarak no início da rebelião popular, no começo do ano, e chegou a ser apontado como um bom nome para substituir o ex-ditador.

Nesta sexta-feira, Ganzouri disse que não vai anunciar sua equipe de governo antes do início das eleições legislativas da próxima segunda-feira, mas garantiu que foi autorizado a governar com poderes mais amplos do que seus antecessores. O novo primeiro-ministro também afirmou que o marechal Hussein Tantaoui, chefe do Conselho Superior das Forças Armadas, não quer ficar no poder.

Os manifestantes da praça Tahrir convocaram um protesto para dar o que consideram "uma última chance" aos militares, contestados por seu apego ao poder desde a queda de Moubarak. Durante a manhã, o prêmio Nobel da Paz Mohamed El Baradei, que tenta se impor como um nome de consenso para a presidência do Egito, se juntou aos manifestantes na tradicional oração muçulmana de sexta-feira. Mazhar Chahine, religioso que celebrou a oração, defendeu a transferência imediata do poder para um governo civil. "Não há outra alternativa a não ser a formação de um governo de união nacional com um presidente", disse o iman.

A junta militar manteve as eleições legislativas previstas no dia 28 de novembro.

O presidente americano, Barack Obama, e a União Europeia pediram uma transição rápida para um governo civil no Egito. A UE condenou a "violência excessiva" das forças da polícia contra os manifestantes.