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Síria finalmente aceita receber observadores árabes

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Integrantes da Liga Árabe discutem a situação da Síria, durante encontro no Cairo. REUTERS/Stringer

Depois de diversos ultimatos por parte da comunidade internacional e diante da ameaça da Liga Árabe de levar a questão da violenta repressão do governo de Bachal al-Assad contra a população ao Conselho de Segurança da ONU, o regime sírio se viu mais do que nunca pressionado a assinar um acordo de paz autorizando o envio de observadores árabes. Eles devem chegar em até três dias.


O vice-ministro das Relações Exteriores da Síria, Fayçal al-Maqdad, assinou nesta segunda-feira na sede da Liga Árabe, no Cairo, um protocolo que autoriza o envio de observadores árabes ao país. A iniciativa é um importante passo nas tentativas de resolução da crise síria. Segundo as Nações Unidas, pelo menos cinco mil pessoas foram mortas no país vítimas da repressão armada do regime contra as manifestações que já duram nove meses.

Até a China e a Rússia - membros do Conselho de Segurança da ONU -, que até pouco tempo se opunham às ameaças de países ocidentais contra Damas, evocaram pela primeira vez o "recurso desproporcional à força pelas autoridades sírias". Na última quinta-feira, autoridades russas apresentaram ao Conselho de Segurança uma proposta de resolução para resolver a crise na Síria.

"Eles (os russos) nos aconselharam a assinar o protocolo (da Liga Árabe) e nós seguimos os conselhos", declarou o vice-ministro líbio das Relações Exteriores.

Segundo o diretor da Liga Árabe, uma primeira delegação de observadores deve chegar à Síria dentro de dois ou três dias. Serão especialistas em segurança, direito, administração e direitos humanos.

O acordo proposto pelos árabes, que prevê a proteção de civis, já havia sido aceito verbalmente por Damas mas nunca foi aplicado. Além do envio de observadores internacionais, o plano cita ainda a libertação de pessoas presas desde o início da repressão, a saída de forças armadas das cidades e a abertura do país à imprensa estrangeira. Resta saber se o presidente Bachar al-Assad vai aceitar todas estas imposições.

Desde 27 de novembro, a Liga Árabe começou a aplicar sanções econômicas contra Damas.

Líder do Irã ironiza ameaças árabes

O presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, chamou o acordo proposto pela Liga Árabe de "piada".

"Alguns países da região, que nunca organizaram eleições, se uniram para votar resoluções contra um outro país (Síria). Por que vocês não fazem eleições?", ironizou.

Violência continua

Nesta segunda-feira, houve novos confrontos. Pelo menos seis civis foram mortos pelas forças de segurança nas cidades de Deraa e Deir. Em Damas, milhares de manifestantes foram às ruas no bairro histórico de Midane para protestar contra o assassinato pela polícia de uma menina de 13 anos com um tiro nas costas, no domingo.

Outras manifestações na capital são realizadas por partidários do presidente Bachar al-Assad. Nesta segunda, eles se reuniram em uma praça para denunciar as sanções impostas pela Liga Árabe. Jornalistas da agência AFP constataram que perto dali foram penduradas em prédios não só bandeiras da Síria, mas também do Brasil, Rússia, China, Irã e África do Sul, considerados "amigos" do governo sírio.