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Brasileiro vai substituir francês na diretoria do Fundo Global de Aids

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Carla Bruni-Sarkozy e o diretor do Fundo Global de Aids, Michel Kazatchkine, em Benin, na África, em 26 de janeiro de 2010. AFP /POOL/ ERIC FEFERBERG

O banqueiro brasileiro Gabriel Jaramillo, de 58 anos, ocupará a partir de 1° de fevereiro o posto do médico francês Michel Kazatchkine, de 62 anos, à frente do Fundo Mundial de Luta contra Aids, Tuberculose e Malária. O diretor pediu demissão após suspeitas de corrupção que envolvem a fundação de Carla Bruni, esposa do presidente francês, Nicolas Sarkozy, e embaixadora do organismo.


O anúncio da mudança foi feito pelo fundo nesta quarta-feira, no dia seguinte ao pedido de demissão de Michel Kazatchkine, que estava há cinco anos na instituição sediada em Genebra, na Suíça. Ele só deixará o cargo oficialmente no dia 16 de março, mas Gabriel Jaramillo já assume na próxima quarta-feira para um mandato de 12 meses. O brasileiro nascido na Colômbia estava aposentado, depois de uma brilhante carreira em vários bancos renomados, e em 2010 havia sido escolhido pelo secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, para ser o enviado especial da ONU para o combate à malária.

O Fundo Mundial de Luta contra Aids, Tuberculose e Malária foi criado em 2002 com a ajuda financeira do bilionário norte-americano Bill Gates, dono da Microsoft, e desde então já destinou 22,6 bilhões de dólares a diferentes programas de saúde em 150 países. Nos últimos meses, escândalos de desvio de dinheiro em projetos tocados em nações africanas e na China afetaram a imagem da organização, o que causou a suspensão das doações por parte da Alemanha e da Suécia.

A última suspeita apareceu na França. Este mês, a revista Marianne informou que a “consistente soma” de 3,5 milhões de dólares foi transferida às atividades filantrópicas da Fundação Carla Bruni-Sarkozy, criada pela esposa do presidente francês, Nicolas Sarkozy, em 2009. Carla é embaixadora voluntária do Fundo Global de Aids.

A instituição negou as acusações de desvio de dinheiro e declarou que a ajuda de custo para os deslocamentos feitos por Carla Bruni em nome do fundo “respeitam as regras e procedimentos rigorosos da organização”.

Missão para o futuro diretor brasileiro

Agora, o brasileiro Gabriel Jaramillo terá a missão de resgatar a credibilidade do fundo e vai gerenciar mais de 10 bilhões de dólares destinados a programas de saúde no mundo inteiro.

"Minhas prioridades no fundo são alcançar um maior nível de eficácia e prestação de contas e obter resultados concretos que permitam salvar vidas", afirmou Jaramillo em um comunicado.

O brasileiro foi gerente e diretor de várias entidades financeiras durante três décadas, entre elas, Marine Midland Bank, Citibank, Santander Brasil e Banco Sovereign.

O Fundo Mundial de Luta contra Aids, Tuberculose e Malária já financiou o tratamento de 3,3 milhões de pessoas infectadas pelo vírus HIV e de 8,6 milhões vítimas da tuberculose, além de ter distribuído 230 milhões de mosquiteiros tratados com inseticidas para prevenir a malária.