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Bashar al-Assad Crise política Desemprego Estados Unidos Repressão Rússia Síria Violências

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Putin nega discussão sobre asilo político de Bashar al-Assad na Rússia

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O ministro das Relações Exteriores sírio, Walid al-Moualem (centro), recebe a representante da ONU Valerie Amos, em Damasco. REUTERS/SANA

Em sua primeira declaração sobre a crise síria depois de ser eleito para um terceiro mandato na presidência da Rússia, Vladimir Putin disse hoje que o exílio do ditador sírio não está em discussão. A poucos dias de completar um ano da revolta popular contra al-Assad, o desemprego na Síria aumentou significativamente e já atinge 14,8% dos trabalhadores do país, contra 8,2% no início de 2011, segundo informe oficial.


A crise política já tem sérios reflexos sobre a economia síria. O desemprego no país cresceu nos últimos meses, afetando principalmente o setor privado, que não consegue absorver a massa de mão-de-obra que chega ao mercado de trabalho, explicou o ministro do Trabalho e de Assuntos Sociais, Radwane al-Habib.

Enquanto os bombardeios das forças do regime continuam nas cidades de Restan e Daraa, nas regiões centro e sul do país, o regime reforçou o aparato militar na província de Idlib. Segundo o Conselho Nacional Sírio (CNS), 42 tanques e 131 caminhões de transporte de tropas foram vistos hoje deixando a cidade de Latakia em direção à Saraqeb, na mesma província.

O CNS convocou a comunidade internacional e a Liga Árabe a agir, enquanto é tempo, a fim de impedir um novo massacre como o que aconteceu no bairro rebelde de Baba Amr, em Homs. De acordo com a ONG Human Rights Watch, 700 pessoas morreram nos bombardeios a Homs. Hoje, pela primeira vez, uma equipe do Crescente Vermelho Árabe Sírio (CRAS) entrou hoje no bairro rebelde para socorrer a população privada de água, comida e eletricidade há quatro semanas. 

A Rússia fez um apelo para que o regime e os rebeldes ponham fim "imediatamente" às violências. "Não importa de que parte venham", diz um comunicado do Ministério das Relações Exteriores russo, mas "as violências devem cessar pela necessidade vital de resolver os graves problemas humanitários" na Síria. Apesar do apelo, o clima pessimista se acentua depois de os russos terem reafirmado que não têm "nenhuma intenção" de mudar de ideia sobre a Síria, de quem são aliados.

A responsável de operações humanitárias da ONU, Valerie Amos, fez uma visita de dois dias à Síria para avaliar as necessidades da população. Ela esteve com o ministro das Relações Exteriores, Walid Mouallem, que reiterou a intenção do regime sírio em cooperar, o que não vem acontecendo na prática.  

Questão de tempo

Nesta terça-feira, em uma coletiva de imprensa, o presidente americano, Barack Obama, disse que a saída do ditador sírio Bashar al-Assad do poder "é apenas uma questão de tempo". Obama descartou mais uma vez a alternativa de uma intervenção militar para solucionar o conflito interno, que arrasa o país há um ano.

Os membros do Conselho de Segurança da ONU debateram ontem, em Nova York, um terceiro projeto de resolução sobre a Síria, elaborado pelos Estados Unidos. O texto exige "um acesso de ajuda humanitária sem restrições", condena os atentados aos direitos humanos cometidos no país pelas autoridades sírias e pede para al-Assad colocar um "fim imediato" à repressão. Mas os diplomatas estrangeiros que analisam o projeto consideram a proposta "fraca". Permanece, portanto, o risco de, mais uma vez, a Rússia e a China não concordarem com os termos do projeto.

Ontem, o Exército sírio lançou uma nova ofensiva a várias cidades que registram contestação do poder de al-Assad, a maioria na região de Daraa, onde a revolta se iniciou no sul do país. Pelo menos 16 civis foram mortos nos ataques.

A rebelião já deixou mais de 7.500 mortos, a maioria civis, em 11 meses.