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Conferência do clima começa em Doha ofuscada pela crise econômica

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O vice-primeiro-ministro do Catar, Abdullah Al Attiyah, e a costarriquenha Christiana Figueres, chefe do Secretariado de Mudanças Climáticas da ONU. REUTERS/Fadi Al-Assaad

Começou nessa segunda-feira em Doha, no Catar, a 18ª Conferência da ONU sobre Mudanças Climáticas, mais conhecida como COP 18. O principal tema em discussão este ano é a prorrogação do Protocolo de Kyoto, que termina em dezembro. As delegações dos 190 países participantes do encontro também vão debater o Pacto Climático Global, que prevê metas de redução de gases do efeito estufa.


Karina Hermesindo, correspondente da RFI

A COP 18 foi aberta hoje, em Doha, com uma nova advertência das organizações ambientais sobre os perigos do aquecimento global e suas consequências "catastróficas" para a humanidade e o meio ambiente. O encontro também é marcado pela polêmica na escolha do país sede, já que o Catar é atualmente o maior poluidor do mundo por habitante.

O presidente da COP 18, o vice-primeiro-ministro Abdullah Al Attiyah, abriu os trabalhos explicando o que está em jogo este ano. Os representantes de mais de 190 países membros da ONU estão em Doha para aprovar a prorrogação do Protocolo de Kyoto e e impedir que a temperatura do planeta se eleve em mais de 2 ºC até o fim deste século. Resta definir por quanto tempo o acordo será prorrogado, já que alguns países defendem um prazo de cinco anos e outros preferem sete, ou seja, até 2020, quando deve entrar em vigor o grande Pacto Climático Global, outro tema relevante na agenda.

A ideia é que o Pacto Climático Global seja aprovado até 2015. Nesse pacto, todos os países membros da ONU deverão cumprir metas de redução de gases do efeito estufa. Os dois maiores poluidores do planeta, China e Estados Unidos, continuam regateando nas negociações. Os Estados Unidos, o segundo país que mais polui no mundo, não ratificaram o Protocolo de Kyoto, enquanto a China, campeã em poluição, assinou o protocolo como país emergente, o que significa que foi exonerada da obrigação de reduzir suas emissões de gases.

O Catar também assinou o Protocolo de Kyoto na categoria de emergente. Porém, nos últimos anos, o país se desenvolveu tanto que hoje é uma das nações mais ricas, com o segundo maior PIB do mundo. O desenvolvimento trouxe um aumento considerável nas emissões de dióxido de carbono, mais precisamente 44 toneladas por habitante, segundo dados da ONU. Em termos de poluição per capta, hoje um catariano polui três vezes mais o planeta do que um americano. Apesar desse desenvolvimento acelerado, o Catar não adotou medidas para diminuir suas emissões de gases, atraindo as críticas dos ambientalistas pela escolha de país sede da COP 18.

O grande desafio do Pacto Climático Global será de conciliar o desenvolvimento com reduções de gases que aumentam o efeito estufa, principalmente em um momento em que o mundo passa por uma grave crise econômica e muitos países avançados precisam relançar sua indústria.

O Banco Mundial advertiu para o risco de um aquecimento de 4ºC até 2060 e "a cascata de tragédias" que devem atingir os países pobres. A quantidade de gases do efeito estufa na atmosfera atingiu um novo pico em 2011, e a ONU alertou que os esforços da comunidade internacional para conter o aquecimento global estão longe de serem suficientes.

Os principais representantes do Brasil na conferência são o embaixador Luiz Alberto Figueiredo Machado e a representante do país nas discussões da cúpula sobre uso da terra e florestas, a pesquisadora Thelma Krug. A COP 18 termina no dia 7 de dezembro.