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Bin Laden CIA Estados Unidos Terrorismo Tortura

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Ex-diretor da CIA nega que torturas levaram à captura de Bin Laden

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Casa onde Osama Bin Laden foi morto foi destruída pelas autoridades paquistanesas em 2012. AFP PHOTO/ AAMIR QURESHI

As técnicas de interrogatório usadas com presos para localizar Osama bin Laden não incluíram atos de tortura, e não se pareceram, em nada, com as cenas do filme sobre a perseguição ao líder da Al-Qaeda, afirmou neste domingo o ex-diretor deste programa da CIA. "Ninguém ficou ferido ou foi agredido em consequência da aplicação das técnicas reforçadas de interrogatório que supervisionei de 2002 a 2007", afirma Jose Rodriguez.


As declarações foram publicadas em uma coluna no jornal The Washington Post, sob o título "Sinto muito, Hollywood, não torturamos". O ex-diretor da CIA interveio na polêmica que agita os serviços de inteligência americanos, gerada pelo filme A Hora Mais Escura, que estreará no país no próximo dia 11. O longa, bem colocado na corrida pelo Oscar, começa com uma cena de tortura de presos, que acabam dando informações cruciais para a localização de Bin Laden no Paquistão.

"Ninguém foi acorrentado ao teto. Quem fez o filme tirou cenas das coleiras para cães usadas nos abusos cometidos por militares na prisão de Abu Ghraib, no Iraque. Nada disso aconteceu nas chamadas 'prisões secretas' da CIA", afirmou Rodriguez.

"Para dar uma simples bofetada no rosto de um preso, os oficiais da CIA tinham que obter uma autorização por escrito de Washington", afirmou. "Os presos tinham a possibilidade de cooperar. Se fossem reticentes - e havia razões para acreditar que eles escondiam informações importantes -, eram submetidos, com o aval de Washington, a técnicas reforçadas, como prisão pelo pescoço, privação do sono ou, em raras ocasiões, simulação de afogamento."

Rodriguez reconheceu que três dos "piores terroristas do planeta" foram submetidos a simulações de afogamento, com o uso de "pequenas garrafas d'água, e não de um balde", como se vê no filme. Foram eles: Abu Zubayda, Khaled Cheikh Mohammed e Abd al-Rahim al-Nachiri, presos atualmente em Guantánamo.