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Russos protestam contra morte de menino adotado por família americana

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Manifestantes pedem que o irmão de um menino russo morto nos Estados Unidos seja repatriado. REUTERS/Maxim Shemetov

Milhares de pessoas realizam uma caminhada hoje nas ruas de Moscou para pedir a proibição da adoção de crianças russas por estrangeiros, em meio a uma polêmica entre a Rússia e os Estados Unidos, envolvendo uma criança que morreu no Texas. O caso provoca tensão entre Moscou e Washington.


O encarregado pelas questões de direitos humanos do ministério das Relações Exteriores russo expressou, neste sábado, sua preocupação em relação à versão americana da morte, nos Estados Unidos, de um menino adotado na Rússia. "Moscou examinou com preocupação as informações que dizem que, segundo a versão oficial anunciada em 1º de março, o falecimento de Maxime Kuzmin foi causado pela ruptura de uma artéria no abdômen", afirma Konstantin Dolgov, por comunicado.

Na nota, o ministério diz ainda que os resultados da necropsia são incompletos e exige das autoridades americanas todos os documentos necessários para esclarecer a morte do menino, incluindo a certidão de óbito. O garoto de três anos morreu devido a um traumatismo no abdômen, segundo a necropsia. A análise realizada por quatro legistas mostra que, além disso, o menino sofria de transtornos mentais, que podem tê-lo levado a cometer lesões contra ele mesmo.

Cerca de 12 mil ativistas e simpatizantes de associações pró-Kremlin de ajuda à infância protestaram neste sábado, na capital russa, para pedir às autoridades que proíbam a adoção de crianças russas por estrangeiros e exijam a volta de Kirill, irmão de Maxime. Os manifestantes traziam bandeiras russas, imagens religiosas e fotografias do menino adotado.

As autoridades americanas argumentam que a morte foi um acidente e que os pais americanos não estão envolvidos na fatalidade. Em janeiro, a mãe adotiva de Maxime, Laura Shatto, encontrou o menino no chão da residência familiar, inconsciente, e levou-o imediatamente para um hospital, onde ele faleceu. O irmão dele, Kirill, também foi adotado pela mesma família americana. Os dois são filhos biológicos de uma russa com problemas de alcoolismo.

“A nossa principal reivindicação é trazer Kirill de volta e proibir as adoções por ocidentais”, declarou uma das organizadoras da marcha realizada hoje, Irina Bergset, coordenadora do movimento Mães Russas.

O Kremlin afirmou estar realizando os procedimentos necessários para trazer o garoto de volta à Rússia. No ano passado, o país adotou uma lei proibindo a adoção de crianças russas por americanos a partir deste ano, em represália a uma lei americana aplicando sanções às autoridades russas devido à morte, na prisão, do advogado russo Sergei Magnitski, em 2009.