rfi

Ouvindo
  • RFI Brasil
  • Último jornal
  • RFI em francês

Casa Branca Crimeia Invasão Milícias Rússia Ucrânia Washington

Publicado em • Modificado em

Casa Branca se diz preocupada com violência de milícias pró-Moscou

media
Miliciano pró-russo armado de fuzil para diante de barricada em Slaviansk, neste sábado REUTERS/Gleb Garanich

Na noite de sábado (12), a Casa Branca pediu que o presidente russo Vladimir Putin cesse imediatamente seus esforços de desestabilização da Ucrânia. Os americanos também se disseram "profundamente preocupados" com os atos de violência dos separatistas no Leste da Ucrânia, "aparentemente com apoio da Russia". Diversas cidades na região sofreram ataques de milícias pró-russas.


A última delas foi Slaviansk, cidade de 100 mil habitantes a 150 quilômetros da fronteira, onde separatistas armados de pistolas e fuzis tomaram a central de polícia e o QG da polícia secreta, substituíram bandeiras ucranianas pelas russas e fizeram barricadas com sacos de areia e pneus, para bloquear as estradas. O presidente interino Olexander Turtinov pediu uma reunião de emergência do conselho de segurança nacional para discutir a situação no leste do país, onde diversas cidades já caíram sob domínio de milícias pró-Rússia.

Resposta duríssima

Em outras cidades da região, a cena se repetiu, levando o ministro ucraniano do interior, Arsen Avakov, a denunciar uma "agressão externa" por parte de Moscou. Durante o dia, o chanceler ucraniano Andrij Dechtitsia telefonou para o colega russo Serguei Lavrov para pedir o fim das ações de agentes russos no leste da Ucrânia. Dechtitsia suspeia que a Rússia esteja tentando boicotar a reunião de 17 de abril entre Rússia, Ucrânia, União Europeia e Estados Unidos, que discutirá uma solução política para a crise.

No início noite, a polícia e o exército ucranianos preparavam uma retaliação, depois que Arsen Avakov prometeu via Facebook que daria uma resposta duríssima aos invasores. Mas a situação não é simples, já que os militantes se apoderaram de centenas de pistolas dos arsenais das forças de segurança nas cidades invadidas. Lavrov disse que uma tentativa de Kiev de retomar os prédios públicos em poder dos rebeldes seria "inaceitável".

Donetsk e Luhansk

Desde o último fim de semana, as cidades de Donetsk e Luhansk estão sob controle de milicianos pró-Rússia. Hoje, o chefe da polícia de Donetsk foi obrigado pelos invasores a pedir demissão. Na quarta-feira, Avakov lançou um ultimato aos militantes destas duas cidades, mas o prazo expirou na sexta, sem que as forças de ordem ucranianas partissem ao ataque. Kiev propôs neste ínterim uma anistia aos separatistas, mas não houve resposta.

Os invasores exigem que se organizem referendos de autodeterminação como o da Crimeia que, em 16 de março votou sua anexação à Rússia. A Rússia nega que tenha interesse em anexar outras regiões ucranianas, como fez com a Crimeia, um mês depois da destituição do presidente Viktor Yanukovich. Mas Vladimir Putin reivindica o direito de defender a população que russófona da Ucrânia de eventuais perseguições.