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Desabamento do prédio Rana Plaza em Bangladesh completa um ano

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Foto de uma trabalhadora em Dacca, da exposição "Dignity Industry", do fotógrafo J.R REUTERS/Andrew Biraj

O desabamento do prédio Rana Plaza, em Dacca, capital do Bangladesh, completa um ano nesta quinta-feira (24). A tragédia que deixou 1135 trabalhadores mortos e 2000 feridos é considerada como uma das mais graves da indústria têxtil. Hoje várias associações francesas entraram com um ação simbólica e inédita na Justiça contra a rede Auchan, acusada de vender roupas fabricadas no edifício.


A empresa francesa nega sua responsabilidade, dizendo não ter nenhuma ligação direta com os fornecedores que trabalhavam no local, onde foram encontradas etiquetas de 29 marcas.

Um porta-voz afirma que a Auchan foi vítima de "dissimulação" de um distribuidor e se recusa a participar do fundo de indenização das vítimas articulado pela OIT (Organização Internacional do Trabalho), segundo o jornal Le Parisien. A empresa afirma ao jornal francês que abriu uma auditoria interna para assegurar que os representantes no Bangladesh respeitem as normas de segurança.

As marcas encontradas no prédio de Dacca reagiram de maneiras diferentes ao drama. Na França, apenas uma marca, a Camaïeu, reconheceu sua responsabilidade e aceitou participar do fundo de ajuda às vítimas. O Carrefour nega qualquer ligação com as empresas do prédio de Dacca, apesar da marca Tex ter sido achada no local.

Empresas anunciam medidas

Outras empresas também anunciaram auditorias internas e medidas para assegurar condições mais dignas para os trabalhadores terceirizados no Bangladesh. A Gap, por exemplo, anunciou a instalação de portas contra incêndios, extintores e detectores de fumaça. Já o Walmart, líder da grande distribuição, anunciou uma melhoria de 48% da segurança elétrica.

Depois da tragédia, um acordo sobre a segurança dos prédios também foi assinado por 150 marcas e uma campanha de inspeção das usinas foi lançada sob a pressão de diversas ONGs. Em Dacca, o salário mensal aumentou de 28 para 50 € e a liberdade sindical passou a ser reconhecida.

As associações que militam pelo consumo ético criticam a postura das empresas em geral,  "totalmente esquizôfrenicas", segundo o advogado William Bourdon, presidente da organização Sherpa. "Trata-se de uma grande operação para enganar os consumidores", disse.  "Nada mudou de fato", acrescentou Yves Marin, especialista do escritório Kurt Salmon. Para Nayla Ajaltouni, coordenadora do Coletivo Ético da Etiqueta, "os distribuidores fizeram esforços mínimos."