rfi

Ouvindo
  • RFI Brasil
  • Último jornal
  • RFI em francês

China Disputa territorial Mar da China Protestos Vietnã

Publicado em • Modificado em

Protestos antichineses no Vietnã deixam um morto e dezenas de feridos

media
Vietnamitas protestam contra a China e violência gera críticas de Pequim às autoridades de Hanoi. REUTERS/Bobby Yip

Um chinês morreu e mais de cem ficaram feridos durante protestos em várias regiões do Vietnã contra empresas e cidadãos chineses. Nesta quinta-feira (15), Pequim acusou as autoridades locais de conivência com os ataques que são considerados os maiores e mais violentos em várias décadas.


Os confrontos, que tiveram início na terça-feira no sul do Vietnã, têm origem no projeto de instalação de uma plataforma petrolífera chinesa em águas territoriais disputadas pelos dois países no mar da China Meridional.

O governo de Hanói, um regime autoritário que normalmente não tolera nenhum tipo de contestação, prometeu "medidas severas" para retomar o controle da situação. Um dos objetivos é não assustar os investidores estrangeiros.

"Pedi ao primeiro-ministro que adote medidas severas", declarou o ministro do Planejamento e de Investimentos, Bui Quang Vinh, citando 400 empresas atingidas pela violência. Os protestos passaram de 22 para 63 províncias no Vietnã.

O primeiro-ministro qualificou a situação como "muito grave" e defendeu uma punição para os responsáveis pelos ataques. No entanto, ele ressaltou que o patriotismo defendido pelos manifestantes "é uma coisa positiva".

China critica conivência

O porta-voz da diplomacia chinesa, Hua CHunying, afirmou que a recente escalada de violência "está diretamente vinculada com a indulgência do governo vietnamita e sua conivência com uma parte das forças antichinesas e com os responsáveis pelos ataques".

Especialistas consideram que as autoridades do Vietnã permitiram algumas manifestações para expressar o descontentamento com o regime chinês, mas perderam o controle devido a ampliação e dimensão dos protestos.

Para fugir da violência, centenas de chineses instalados no Vietnã se refugiaram no vizinho Camboja, de acordo com informações da polícia local. Os últimos ataques aconteceram na região central do Vietnã, a uma distância de 500 km da capital, Hanoi.

Depois de promoverem pilhagem em parques industriais no sul, os moradores atacaram na madrugda desta quinta-feira uma fábrica de aço do grupo tawainês Formosa Plastics. Um responsável local confirmou a morte de um chinês. Outros três alojamentos de funcionários chineses foram incendiados.

Pelo menos 149 pessoas ficaram feridas, segundo o último balanço oficial. Até o momento, 76 pessoas foram detidas para investigação. A agência de notícias China News informou que dezenas de funcionários chineses continuam desaparecidos.