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Índia prende médico responsável pela morte de mulheres esterilizadas

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O doutor R.K. Gupta (esquerda), responsável pelas cirurgias de esterilização que causou a morte de 13 mulheres na região central da Índia, foi detido nesta quarta-feira (12). REUTERS/Anindito Mukherjee

A polícia indiana prendeu e interroga nesta quinta-feira (13) o cirurgião que realizou a operação de esterilização coletiva que provocou a morte de 13 mulheres. O drama na Índia relançou o debate sobre os programas públicos de esterilização no país e levou ONGs a pedir uma reforma do planejamento familiar indiano.


O cirurgião R.K. Gupta foi detido na noite de quarta-feira (12). No último sábado (8), ele esterilizou, em apenas 5 horas, 83 mulheres, em uma clínica de Raipur, no Estado de Chhastigarh, no centro da Índia. O material usado durante a operação coletiva será confiscado pela polícia que suspeita que o equipamento estava infectado.

O cirurgião declarou à polícia que foi pressionado pelo governo para realizar a operação coletiva para cumprir as metas do programa de esterilização financiado pelo Estado que visa limitar o crescimento da população. Ele comparece na tarde desta quinta-feira a um Tribunal de Raipur.

Treze mulheres morreram e 14, das sessenta hospitalizadas, ainda estão internadas. Elas receberam 20 rupias, cerca de 60 reais, para fazer a operação de esterilização.

Controle demográfico

Os programas de esterilização feminina coletivos são organizados com freqüência na Índia para diminuir a taxa de natalidade e frear o crescimento demográfico no país. ONGs denunciam que muitas mulheres são forçadas a aceitar a operação, feita com frequência em péssimas condições médicas. Segundo a Human Rights Watch, o programa provoca um número alto de mortes porque “os funcionários do setor de saúde recrutam a qualquer preço mulheres voluntárias para atingir metas mensais que oficialmente não existem.”

A Índia tem 1,25 bilhão de habitantes e pode se tornar o país mais populoso do mundo em vinte anos, superando a China.