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EUA e União Europeia criticam violência contra estudantes de Mianmar

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Polícia e estudantes entram em confronto em Letpadan, no centro de Mianmar REUTERS/Soe Zeya Tun

Mais de 120 manifestantes foram presos nesta terça-feira em Mianmar durante uma marcha de estudantes contra uma reforma no sistema educacional, que eles julgam pouco democrática. A repressão ao protesto, que aconteceu em Letpadan a poucos meses das eleições legislativas no país, foi criticada pelos Estados Unidos e pela União Europeia.


"Estamos profundamente preocupados com as informações sobre a violência da polícia contra os manifestantes", afirmou a porta-voz do departamento de Estado norte-americano, Jennifer Psaki. A porta-voz da União Europeia, Maja Kocijancic, lamentou o uso de força contra manifestantes pacíficos. A ONG Human Rights Watch também denunciou uso excessivo de força e um retorno aos maus dias de Birmânia, quando o país era governado pela junta militar que se dissolveu em 2011.

Testemunhas afirmaram que a polícia agrediu os estudantes com cacetetes e colocou dezenas de pessoas em caminhões. A tropa de choque teria tentado invadir um mosteiro budista. A própria polícia afirmou que alguns feridos tiveram de ser levados para o hospital.

Ainda de acordo com as forças de segurança, 16 policiais foram feridos por pedradas.O governo defendeu a ação da polícia como já havia feito há poucos dias, quando outro protesto foi reprimido violentamente no centro da capital Rangun.

Deterioração pré-eleitoral

Os estudantes, mobilizados há diversas semanas, afirmam que a reforma educacional é antidemocrática e exigem a descentralização do sistema, a possibilidade de criar sindicatos e o ensino de línguas faladas pelas minorias étnicas do país. A militância estudantil é uma importante força política em Mianmar e foi uma das principais armas de contestação ao governo militar.

Desde o fim do regime, o país tem passado por importantes reformas, mas os observadores internacionais temem um retrocesso antes das legislativas marcadas para o fim deste ano. De acordo com as pesquisas, o partido da opositora Aun San Su Kyi é o favorito.