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Refém Grupo Estado Islâmico Sequestro Terrorismo Iraque

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Grupo Estado Islâmico liberta mais de 200 reféns

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Mulher é carregada por soldado curdo depois de ser libertada. REUTERS/Ako Rasheed

A organização Estado Islâmico libertou 216 membros da minoria religiosa yazidi, que haviam sido capturados há meses no norte do Iraque. Segundo a agência Reuters, os reféns eram todos idosos e doentes. Dois cristãos também foram libertados pelos radicais.


Os reféns foram entregues às forças curdas, nas proximidades da cidade de Kirkuk. Alguns demonstravam muita dificuldade para se locomover.

Os yazidis são fiéis a um culto pré-islâmico. Eles são vítimas de violentas perseguições e massacres por parte do grupo extremista, desde que os terroristas conquistaram vastas áreas no norte iraquiano e na Síria, em meados de 2014. Milhares de yazidis foram mortos ou capturados, enquanto as mulheres foram obrigadas a se tornar escravas sexuais ou a se casar com os combatentes radicais.

Uma idosa que fazia parte do grupo solto nesta quarta-feira (8) contou ter sido sequestrada em agosto do ano passado, na região de Sinjar. “Eu já tinha perdido todas as esperanças de rever os meus filhos, mas hoje fui libertada”, comentou, às lágrimas.

As razões para a libertação são, por enquanto, desconhecidas. No início do ano, o grupo Estado Islâmico já havia soltado dezenas de reféns yazidis – que, segundo os terroristas, seriam “adoradores do diabo”.

Julgamento improvável

A procuradora-geral do Tribunal Penal Internacional (TPI) declarou nesta quarta-feira que há indícios de crimes de guerra cometidos pelos insurgentes no Iraque e na Síria, mas que, por enquanto, há pouca chance de seus líderes serem investigados.

Os crimes atribuídos ao grupo jihadista ultrarradical sunita vão de execuções em massa, escravidão sexual, estupro e tortura ao recrutamento forçado de crianças e até genocídio, afirmou Fatou Bensouda, em um comunicado. Ela declarou que, embora tenha jurisdição sobre crimes cometidos por combatentes que são cidadãos de países-membros do TPI, a maioria dos líderes do Estado Islâmico parece ser do Iraque e da Síria, países que não são filiados à corte.

“Neste estágio, a perspectiva de o meu escritório investigar e processar os principais responsáveis dentro da liderança do Estado Islâmico parece limitada”, disse Bensouda.

O tribunal pode exercer “jurisdição pessoal” sobre indivíduos que são cidadãos de países-membros, acrescentou. Uma jurisdição mais ampla também pode ser requisitada a Haia pelo Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU).

Muitos cidadãos de nações filiadas ao TPI são suspeitos de cometer atrocidades em combates da organização extremista. Bensouda destacou que a corte recebeu denúncias sobre milhares de combatentes estrangeiros que se uniram ao grupo, vindos de países como Tunísia, Jordânia, França, Grã-Bretanha, Alemanha, Bélgica, Holanda e Austrália. “Alguns destes indivíduos podem ter estado envolvidos em crimes contra a humanidade e crimes de guerra”, ressaltou.