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Mudança dos EUA em relação a Cuba abre nova era no hemisfério, diz Obama

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Raúl Castro (esquerda) e Barack Obama na 7ª Cúpula das Américas. REUTERS

Em um encontro histórico no processo de reaproximação dos Estados Unidos com Cuba, os presidentes Barack Obama e Raúl Castro reafirmaram neste sábado (11), no Panamá, a intenção de avançar para a normalização das relações entre os dois países, inimigos por quase 60 anos. Ao falar na sessão plenária da 7ª Cúpula das Américas, Obama disse que "as mudanças na política dos Estados Unidos em relação a Cuba abrem uma nova era no hemisfério". Já o presidente cubano, que participava pela primeira vez do fórum regional, elogiou a honestidade de Obama e sua disposição para o diálogo.


"O fato de o presidente Castro e eu estarmos sentados aqui é um evento histórico", destacou Obama. "Nunca as relações entre os Estados Unidos e a América Latina foram tão boas", acrescentou o presidente americano.

Ao tomar a palavra, Castro expressou a vontade de avançar "em um diálogo respeitoso e de convivência civilizada, apesar das profundas diferenças" entre os dois países. Em seguida, o líder cubano enviou vários sinais de aprovação a Obama. Disse que ele é um "homem honesto", com "disponibilidade para o diálogo". Também afirmou ter apreciado a decisão de Obama de excluir Cuba da lista de países terroristas do Departamento de Estado. Além disso, Castro considerou positivo que Obama tenha "reconhecido que a Venezuela não é uma ameaça para os Estados Unidos". Ele se referia ao fato de Obama ter dito que seu decreto com "ameaças" a Caracas foi um procedimento meramente formal.

A presidente Dilma Rousseff expressou satisfação com o clima ambiente: "Com o aplauso de todos os presentes, os dois líderes demostraram que é possível avançar quando as lições da história são aceitas e deixamos para trás os antagonismos do passado", disse. Dilma pediu o fim do embargo à ilha e defendeu moderação no tratamento da crise com a Venezuela.

Dilma e Obama têm prevista uma reunião bilateral às 14h30. Eles vão discutir a eventual visita de Estado da presidente a Washington, no segundo semestre do ano.

Aperto de mãos

Obama e Castro estão entre os 35 chefes de Estado e de governo que foram ao Panamá. Eles se encontraram na sexta-feira antes do jantar de abertura, trocaram um aperto de mãos, e devem ter uma reunião formal neste sábado, a primeira desde a Revolução Cubana de 1959.

Logo após tomar o poder, Fidel Castro chegou a viajar aos Estados Unidos, mas foi recebido pelo então vice-presidente, Richard Nixon. Em seguida, em 1962, Cuba foi banida da Organização dos Estados Americanos (OEA), a pedido dos Estados Unidos, e desde então não tinha o direito de participar de eventos oficiais deste tipo.