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Em turnê pelo Golfo, Hollande vende Rafale e é convidado de Cúpula

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O presidente François Hollande na sua chegada a Doha, no Catar, na manhã desta segunda-feira, 4 de maio de 2015. AFP PHOTO/ POOL / CHRISTOPHE ENA

O presidente francês iniciou nesta segunda-feira (4), pelo Catar, uma visita de dois dias pelo Golfo Pérsico. François Hollande prestigiou a assinatura de mais uma venda de aviões de caça Rafale e será o primeiro líder ocidental a participar de uma reunião de cúpula do Conselho de Cooperação do Golfo.


Ao desembarcar em Doha, o chefe de Estado francês tinha agendada uma reunião com o emir do Catar, xeique Tamim ben Hamad Al-Thani, com que falou sobre os negócios envolvendo o caça Rafale e também sobre problemas regionais, como a atual crise no Iêmen.

Na sequência, o presidente assistiu à assinatura de dois contratos. O primeiro foi firmado entre o Catar e os fabricantes Dassault Aviation (construtor do Rafale) e MBDA (fabricante de mísseis que fornece armamentos) para oficializar a venda de 24 aparelhos. O contrato, avaliado em mais de € 6 bilhões, prevê seis aviões com dois lugares e 18 de um lugar.

O segundo contrato, confidencial, é um acordo entre governos para a formação de 36 pilotos e de centenas de mecânicos, além de afinar uma parceria para a instrução de agentes de informação. Entre suas múltiplas tarefas, o caça francês é um modelo de reconhecimento e é dotado de um grande poder de observação.

Recompensa

Esse novo sucesso comercial do avião Rafale, o terceiro em quatro meses, é considerado uma recompensa pela estratégia diplomática francesa no Oriente Médio.

A posição firme de Paris contra as ambições nucleares do Irã, além da luta contra os jihadistas do grupo Estado Islâmico e contra o regime de Bashar Al-Assad na Síria, agrada às monarquias do Golfo, particularmente a Arábia Saudita.

Como prova desse apreço, Hollande será o convidado de honra nesta tarde, em Riade, da Cúpula Extraordinária do Conselho de Cooperação do Golfo. Ele será o primeiro chefe de Estado ocidental a participar de um encontro para discutir assuntos estratégicos como a luta contra o jihadismo, a crise no Iêmen e o programa nuclear iraniano.

"Este é um sinal da grande consideração política que o monarca saudita tem em relação ao presidente francês", afirma Clarence Rodriguez, correspondente da RFI em Riade.

Retaliação contra os Estados Unidos

A aproximação com a França também é vista como um sinal claro da irritação das monarquias do Golfo com os Estados Unidos. A Arábia Saudita lidera é a mais descontente com a retomada do diálogo entre Washington e Teerã sobre um acordo nuclear, além de estar insatisfeita com a postura considerada pouco firme do presidente americano Barack Obama contra o regime sírio.