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Jornalistas da al-Jazeera são condenados a três anos de prisão no Egito

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Jornalistas da al-Jazeera aguardando o resultado do julgamento. REUTERS/Asmaa Waguih

Um tribunal do Cairo, no Egito, condenou neste sábado (29) três jornalistas do canal de televisão do Catar al-Jazeera a três anos de prisão em regime fechado. Eles são acusados de ter colaborado com a organização Irmandade Muçulmana. O resultado do julgamento indignou as famílias dos réus. O episódio se inscreve no contexto de caçada implacável do regime do General Sisi contra seus antecessores.


Com informações de Alexandre Buccianti, correspondente da RFI no Cairo.

O julgamento avaliou um recurso interposto pelos réus, que haviam sido condenados inicialmente a penas de sete a 10 anos. Eles ainda podem recorrer a uma corte de apelação ou pedir o perdão presidencial.

Os familiares dos condenados protestaram contra o que consideram uma pena injusta e desmesurada. Os jornalistas faziam parte do serviço em inglês da al-Jazeera e foram presos em dezembro de 2013 na suíte de um grande hotel do Cairo que eles haviam transformado em estúdio de televisão.

Os jornalistas foram acusados de ter se unido a uma organização hoje considerada ilegal no Egito, a Irmandade Muçulmana, e também de difundir informações falsas que “colocariam em risco a segurança do país e a paz social”.

“Decisão escandalosa”

Um dos condenados, o australiano Peter Greste, conseguiu obter uma licença para cumprir a pena em seu país. Já o egípcio-canadense Mohamed Fahmy renunciou à nacionalidade egípcia para tentar obter a mesma permissão, mas não foi autorizado a deixar o Egito. O caso provocou uma onda de protestos internacional.

O diretor do serviço em inglês da al-Jazeera reagiu ao resultado do julgamento, denunciando uma condenação “escandalosa e repugnante”. A emissora do Catar, através de um comunicado, também criticou “um ataque deliberado contra a liberdade de imprensa”.

Em outro caso de julgamento criticado unanimemente pela comunidade internacional nesta semana, o cineasta ucraniano Oleg Sentsov foi sentenciado a 20 anos de prisão por um tribunal russo por participação nos movimentos anti-Rússia na Crimeia.