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UNESCO Síria Templo Patrimônio Grupo Estado Islâmico Jihadista

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Unesco lamenta "crime intolerável" contra templo na Síria

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Colunas e o antigo Templo de Bel na histórica cidade de Palmira, Síria. 11 de junho, de 2009. REUTERS/Gustau Nacarino

A destruição do tempo de Bel pelo grupo Estado Islâmico na cidade síria de Palmira é um "crime intolerável contra a civilização", afirmou nesta terça-feira (1°) a diretora-geral da Unesco. Já para o diretor de Antiguidades da Síria, foi o fim de um "dos mais belos símbolos do país".


Na noite da segunda-feira (31), o Instituto das Nações Unidas para a Formação e Pesquisa (Unitar) confirmou a destruição do prédio principal do templo de Bel e de colunas ao lado do monumento, depois de ter comparado fotos de antes e depois das explosões atribuídas aos jihadistas.

Na imagem datada de 27 de agosto, é possível ver a estrutura retangular cercada de colunas. Na foto tirada ontem, restaram apenas algumas colunas perto do local. Testemunhas disseram que o monumento foi destruído no dia 30 de agosto com a ajuda de explosivos.

O templo de Bel, erguido há 2.000 anos, era o mais conhecido da antiga cidade de Palmira e integrava a lista do Patrimônio Mundial da Humanidade.

"A destruição de Palmira constitue um crime intolerável contra a civilização, mas nunca irá apagar 4.500 anos de história", declarou a diretora-geral da Unesco, Irina Bokova, em um comunicado.

"É fundamental explicar a história e o significado dos templos de Palmira. Qualquer pessoa que tenha visto Palmira guardará para sempre a lembrança de uma cidade que simboliza a dignidade de todo o povo sírio, e que incarna as mais altas aspirações da humanidade", completou.

Rumo à destruição total de Palmira

Com a confirmação da destruição do templo de Bel pelas fotos de satélite, o diretor das Antiguidades da Síria, Maamoun Abdelkarim, lamentou a perda de uma das joias do país. "Era o mais belo símbolo de toda a Síria. Nós o perdemos para sempre", afirmou. Segundo Abdelkarim, este foi o último "ato antes da destruição total de Palmira".

O grupo Estado Islâmico tomou o controle da cidade de Palmira, localizada a 205 km de Damasco, no dia 21 de maio. Com a derrrota das forças governamentais para os jihadistas, especialistas passaram a temer o futuro deste importante patrimônico histórico e cultural da Síria.

No dia 23 de agosto, os jihadistas do grupo Estado Islâmico destruíram o templo de Baalshamin com a ajuda de explosivos. Dias antes, os radicais islâmicos mutilaram o corpo do ex-chefe das Altiguidades de Palmira, Khaled al-Assad, de 82 anos, depois de o terem executado e o pendurado em um poste.

A cidade de Palmira ainda abriga alguns tesouros da Síria como um grande teatro romano do século II, ainda não atacado pelos jihadistas.

Segundo especialistas, ao atacar esse rico patrimônio mundial, os jihadistas atingem seu grande objetivo, que é chamar a atenção e provocar indignação em nível internacional.

(Com informações da AFP)