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Turquia Violência Curdos PKK Recep Tayyip Erdogan

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Operação militar contra curdos deixa mais de 100 mortos na Turquia

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Em recente operação, polícia turca metralhou residências de militantes curdos do PKK no sudeste do país. REUTERS/Murad Sezer

Uma violenta operação militar do governo turco contra supostos opositores curdos do grupo PKK deixou ao menos 100 mortos nos últimos cinco dias no sudeste do país. Pelo menos dois soldados turcos e cinco civis também morreram na operação.


O exército turco iniciou na última quarta-feira (16), em conjunto com as forças especiais da polícia, uma grande operação para expulsar os militantes curdos dos centros urbanos. Quase 10 mil homens, apoiados por carros de combate, foram mobilizados para a ofensiva que se concentra em duas cidades próximas da fronteira síria e iraquiana, Cizre e Silopi. As duas localidades estão sob toque de recolher.

O comandante das Forças Armadas, o general Hulusi Akar, visitou no sábado (19) as tropas na região e foi informado sobre o avanço da operação. "Os trabalhos devem prosseguir com determinação no local até o restabelecimento da ordem pública", afirma o exército turco em um comunicado.

Aviões de guerra decolaram na sexta-feira (18) da base de Diyarbakir para bombardear dos acampamentos do PKK no norte do Iraque. O bairro de Sur, no centro histórico de Diyarbakir, também se transformou em um campo de batalha, assim como a localidade vizinha de Nusaybin.

Violências já duram meses

Depois de mais de dois anos de cessar-fogo, os combates voltaram a explodir em meados de 2015 entre as forças de segurança e o PKK. Os insurgentes encerraram as conversações de paz iniciadas no fim de 2012 para acabar com o conflito iniciado em 1984.

Fortalecido pela vitória de seu partido nas eleições legislativas de 1º de novembro, o presidente conservador-islâmico Recep Tayyip Erdogan reafirmou o desejo de "erradicar" o PKK e acusou o partido pró-curdo HDP (Partido da Democracia dos Povos) de estar aliado ao movimento armado.

Por sua parte, militantes curdos, especialmente as jovens milícias do YDG-H (Movimento dos Patriotas Revolucionários, próximo mas autônomo do PKK), ocuparam algumas cidades da região, cavando trincheiras e levantando barricadas para impedir a entrada das forças de segurança. A estratégia paralisou estas localidades e forçou a fuga de dezenas de milhares de habitantes.

Deslocamento de 200 mi pessoas

Os confrontos tiveram consequências desastrosas para a região e provocaram o deslocamento de 200 mil pessoas. Embora em proporção muito menor, a situação na Turquia se assemelha à da vizinha Síria, que enfrenta uma guerra civil, com as mesmas imagens de casas, escolas e hospitais destruídos.

O ministério da Educação retirou os professores da região e o ano escolar foi interrompido. Muitos médicos também fugiram do sudeste do país.

(Com informações da AFP)