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Candidata de oposição à Pequim pode se tornar a primeira mulher a presidir Taiwan

Por Luiza Duarte

Milhões de taiwaneses vão às urnas neste sábado (16) para escolher seu novo presidente e renovar as 113 cadeiras do parlamento. As relações da ilha com a China são a questão central do pleito. A candidata da oposição, Tsai Ing-Wen, lidera as pesquisas e caminha para se tornar a primeira mulher presidente em um país de língua chinesa. Após oito anos de reaproximação, Taiwan pode eleger um governo menos favorável à Pequim e comprometer a estabilidade regional.

A dirigente do Partido Democrático Progressista (PDP), Tsai Ing-Wen, de 59 anos, lidera as pesquisas. De acordo com as últimas sondagens, a candidata pró-independentista conta com mais de 40% das intenções de voto. O número é superior ao dobro do que registra o segundo colocado, o candidato da situação, vinculado ao partido Kuomintang (KMT) e prefeito de Taipei, Eric Chu, de 54 anos. Já o conservador James Soong, de 72 anos, que já integrou o KMT e hoje preside um movimento pró-Pequim, o Partido Povo Primeiro, soma cerca de 10% das intenções de votos.

A ilha de 23 milhões de habitantes ainda tem cerca de 20% de eleitores indecisos. Mesmo assim, a alta popularidade da candidata da oposição e o apoio dos jovens, que se identificam cada vez menos com a China, garante chance de vitória para Tsai.

A advogada que estudou no Reino Unido ocupou cargos de destaque desde jovem, como chefe de Comércio de Taiwan e ministra do Conselho de Assuntos com a China, e se candidatou pela primeira vez à presidência em 2012. Já no pleito para o legislativo, o PDP e partidos menores de oposição também aparecem bem cotados.

Aproximação

O atual presidente taiwanês, Ma Ying-jeou, do partido nacionalista KMT, foi eleito para o cargo em 2008 e em 2012, prometendo prosperidade graças a uma reaproximação com o gigante asiático. Em novembro, os líderes da China e Taiwan se encontram pela primeira vez desde o final da guerra civil chinesa em 1949. Esse aperto de mãos histórico em Cingapura, depois de mais de 60 anos, simboliza o esforço do atual governo taiwanês em reaquecer as relações com Pequim.

Taiwan é independente desde 1950, mas que a China considera como uma província rebelde que deve ser reunificada com o continente, se necessário pela força. Apenas 22 países reconhecem Taiwan como nação soberana.

A ilha realiza eleições diretas para presidente há apenas 20 anos, mas é vista como um modelo democrático sólido, que é referência na região. Ela é a única das sociedades de língua chinesa onde há voto direto e universal. A corrida eleitoral é observada atentamente não só pela China, mas também por Hong Kong e Macau.

Economia e identidade

Os novos acordos bilaterais criaram os primeiros voos diretos e linhas marítimas, fazendo crescer não só o comércio, mas também trocas culturais, acadêmicas e impulsionando o turismo. Cerca de 4 milhões de chineses visitaram a ilha no último ano. Porém, a promessa dos benefícios econômicos com o estreitamento das relações com a China deixou a desejar.

Eleitores estão insatisfeitos com os salários mais baixos, a queda nas exportações e um crescimento da economia que não superou 1%. Eles enfrentam ainda uma taxa de desemprego perto dos 4%, que é considerada alta para a região, e alegam que os benefícios econômicos ficaram com as grandes empresas, favorecendo pouco a população. Outra crítica ao atual governo é de que a dependência econômica em relação à China compromete a soberania e a identidade de Taiwan.

Tsai se diz contrária a políticas que agravem a dependência econômica em relação aos chineses, mas adota um tom moderado comparado ao tradicional discurso independentista do PDP. A candidata da oposição reiterou esta semana que, se eleita, fará o seu melhor para “manter a estabilidade” entre os vizinhos. Durante a campanha, Tsai reforçou que é o povo de Taiwan que deve estabelecer qual será sua relação com a China.

Ela quer tranquilizar Pequim e Washington dando sinais de que não pretende ameaçar a estabilidade da região. Se o novo governo de Taiwan tentar abertamente promover sua independência completa da China, pode gerar graves tensões com Pequim, o que preocupa não só os países da região, mas também os Estados Unidos.

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