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Eleições palestinas de outubro podem mudar jogo de forças na região

Por Daniela Kresch

Os palestinos fecham, até o próximo domingo (21), as listas de candidados para as eleições municipais que acontecerão em outubro. O pleito pode complicar a situação interna na Cisjordânia e na Faixa de Gaza, assim como o relacionamento com Israel.

Correspondente da RFI em Tel Aviv

Os palestinos vão eleger 416 conselhos de cidades e vilarejos, sendo 391 na Cisjordânia e 25 na Faixa de Gaza. Essas eleições municipais, marcadas para 8 de outubro, foram anunciadas em junho pelo presidente palestino, Mahmoud Abbas. Os conselhos municipais são responsáveis pelo fornecimento de serviços básicos como água, esgoto e eletricidade.

A grande novidade é que, pela primeira vez em dez anos, as duas principais facções rivais palestinas, o Fatah, o partido de Abbas que governa a Cisjordânia, e o Hamas, que controla a Faixa de Gaza, vão concorrer uma contra a outra. Fatah e Hamas não concorrem num processo democrático desde as eleições parlamentares de 2006.

Naquele ano, o Hamas saiu vitorioso das urnas, o que levou a uma batalha sangrenta entre membros das duas facções. A rivalidade perdura e divide os palestinos até hoje. Desde então, Gaza é controlada pelo Hamas, que expulsou líderes do Fatah do território em 2007. Na Cisjordânia, o Fatah é a autoridade suprema e reprime integrantes do Hamas.

Participação do Hamas causa surpresa e muda perspectivas

Ainda não há dados sobre a quantidade final de candidatos, mas as listas devem ser fechadas até o fim desta semana, quando começará, na prática, a campanha eleitoral. Os candidatos serão locais, dos clãs ou famílias que compõem cada cidade.

O Hamas decidiu apoiar, na Cisjordânia, candidatos mais técnicos, mais profissionais do que políticos, até por temor que Israel detenha candidatos abertamente do Hamas, considerado pelo país como um grupo terrorista. A participação do Hamas foi uma total surpresa para o Fatah e para a Autoridade Palestina, porque o grupo havia boicotado uma votação semelhante em 2012. Mas o grupo islâmico anunciou, em meados de julho, que não só vai participar das eleições na Cisjordânia como deixar que o pleito aconteça também em Gaza.

Analistas afirmam que Mahmoud Abbas talvez não convocasse as eleições se soubesse que isso iria acontecer. Para o Hamas, vencer na Cisjordânia seria uma demonstração de força política. Mas, por outro lado, o Fatah pode surpreender e abalar o monopólio do Hamas em Gaza, caso vença em cidades do território.

Se as eleições derem certo, talvez haja uma reconciliação nacional e os palestinos se sintam confiantes para realizar até mesmo eleições presidenciais, o que não acontece desde 2005. Caso contrário, a votação pode dividir ainda mais os palestinos.

Vitória do Hamas na Cisjordânia teria consequências imprevisíveis

Uma eventual vitória do Hamas na Cisjordânia gera inúmeras questões. Ninguém sabe como reagirão Israel, os Estados Unidos e outros países que consideram a facção islâmica como um grupo terrorista. Seria difícil boicotar a região, em represália, após um processo eleitoral democrático.

É uma incógnita se Israel vai cortar relações com a Cisjordânia assim como fez com Gaza. Também é um mistério como ficará a coordenação entre Israel e os palestinos da Cisjordânia em questões civis e de segurança, que mantêm o relacionamento entre os dois lados relativamente calmo atualmente. Especialistas acreditam que, como não se trata de eleições presidenciais ou parlamentares, pode ser que haja tolerância quanto à participação do Hamas em conselhos municipais.

Outra possibilidade é Israel manobrar para evitar as eleições. Tudo é possível, mas isso provavelmente só acontecerá se houver um grande atentado terrorista perto da data. Uma obstrução seria muito mal vista pela comunidade internacional. O grande temor de Israel é o de que, caso haja problemas durante a votação, a violência se espalhe regionalmente.

Desde setembro do ano passado, 40 israelenses foram mortos em dezenas de ataques palestinos com facas, armas de fogo ou atropelamentos. No mesmo período, mais de 220 palestinos foram mortos pelos israelenses, sendo que dois terços deles enquanto cometiam ou planejavam os ataques.

O mais recente incidente aconteceu nesta terça-feira (16), quando um adolescente palestino morreu durante uma incursão militar israelense na Cisjordânia em busca de armas. O jovem participava de um protesto contra Israel quando foi alvejado por um dos soldados.

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