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Turquia PKK Curdos Ataques Atentado Recep Tayyip Erdogan

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Após golpe frustrado, PKK retoma atentados na Turquia

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Dois atentados com carro-bomba no sudeste da Turquia deixam ao menos seis mortos. Uma delas na cidade de Elazig um reduto conservador e nacionalsita Kamilcan Kilic/Ihlas News Agency via REUTERS

Um mês depois de relativa calma após o golpe de Estado frustrado na Turquia, a guerrilha curda voltou a lançar uma campanha de atentados que, pela primeira vez, alcançaram regiões onde a população não é majoritariamente curda. Com intervalos de poucas horas, três ataques atribuídos aos rebeldes do Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK) mataram pelo menos dez pessoas entre esta quarta e quinta-feiras (17 e 18) e feriram mais de 200, no leste e no sudeste do país.


Na manhã desta quinta-feira, ao menos três policiais morreram em um atentado com carro-bomba contra o quartel-general da polícia de Elazig, reduto nacionalista do leste da Turquia de população não curda, que até agora não havia sido afetada pelo conflito entre o Estado turco e os rebeldes curdos. Além dos mortos, 146 pessoas ficaram feridas, 14 em estado grave.

O ataque, rapidamente atribuído ao PKK pelo ministro da Defesa, Fikri Isik, provocou danos consideráveis no edifício de quatro andares e nos imóveis vizinhos, onde se encontram as casas reservadas às famílias dos policiais. A explosão abriu uma cratera de vários metros de diâmetro.

Poucas horas depois, um comboio militar foi atingido por explosivos detonados pelo PKK em Bitlis. Três soldados e um integrante de uma milícia curda pró-Ancara morreram no ataque, e sete soldados ficaram feridos.

Na noite de quarta-feira, três pessoas, dois civis e um policial, morreram e 73 ficaram feridas em Van, outra localidade a leste da Turquia, em mais um atentado com carro-bomba cometido pelos rebeldes, declarou o governador local, Ibrahum Tasyapan. Cerca de uma tonelada de explosivos foram utilizados, de acordo com a agência de notícias Dogan.

Localidades até então preservadas da violência

Van é uma das grandes cidades de população mista curda e turca, além de ser um destino turístico popular. Localizada perto do Irã, abriga vestígios de civilizações antigas, incluindo a armênia. A região se mantinha preservada da violência desde o início do levante do PKK contra o Estado turco, em 1984. A guerrilha já custou a vida de 40.000 pessoas.

No início do mês, o líder do partido curdo, Cemil Bayik, ameaçou intensificar os atentados contra a polícia “em todas as cidades da Turquia”, e não apenas no sudeste do país, onde a maioria da população pertence a essa minoria étnica, que reclama independência de Ancara. Nos últimos dias, os rebeldes curdos cometeram uma série de ataques em diferentes áreas do leste, levando sua luta armada para além de sua área de ação.

"É evidente que o PKK quer se aproveitar do clima atual na Turquia. Toda organização terrorista gosta de aproveitar as crises", indicou à AFP uma fonte próxima ao governo, em referência ao golpe.

Na última segunda-feira (15), oito pessoas - cinco policiais e três civis, entre eles uma criança de cinco anos - morreram em outro atentado com carro-bomba contra um posto da polícia de Van. As forças de segurança sofrem ataques quase diariamente por parte do PKK desde o fim do cessar-fogo entre as duas partes do conflito, no verão de 2015. Centenas de policiais e militares morreram.

Segundo a Human Rights Watch, mais de 7.000 combatentes curdos e mais de 300 civis morreram no último ano, enquanto 355.000 pessoas foram obrigadas a fugir devido à retomada do conflito.

Na ofensiva lançada pelo governo turco contra simpatizantes do pregador Fethullah Gülen, após a tentativa de golpe em julho, milhares de policiais ou soldados foram demitidos ou detidos, aumentando os temores de um enfraquecimento dos meios do Estado para combater o PKK. Mas o ministro da Defesa garantiu à agência pró-governamental Anatolia que "desde 15 de julho, a República da Turquia é ainda mais forte" e que, mais cedo ou mais tarde, conseguirá erradicar o PKK.

Caçada a opositores continua

A procuradoria de Istambul ordenou nesta quinta-feira o confisco dos bens de 187 empresários por supostos vínculos com o pregador Fethullah Gülen, acusado por Ancara de instigar a tentativa de golpe na Turquia. Em uma grande operação da polícia financeira na cidade e em outras localidades, foram detidos 60 suspeitos, entre eles executivos de grandes empresas, de acordo com a agência de notícias Dogan.

A procuradoria emitiu 187 ordens de detenção no âmbito desta operação, a segunda desde o início da semana, dirigida especialmente contra o chefe da confederação patronal Tüskon e conhecidos empresários. Entre eles está o genro do prefeito de Istambul, Kadir Topbas, influente membro do partido governante AKP (islamita-conservador), segundo os meios de comunicação. Os detidos são acusados de financiar um grupo terrorista, o FETO, o acrônimo utilizado pelo governo para designar o movimento de Gülen.

O primeiro-ministro turco, Binali Yildirim, anunciou na noite de quarta-feira que desde 15 de julho, 40.029 pessoas foram presas, das quais 20.355 permanecem detidas. Durante um discurso transmitido na televisão, ele acrescentou que 79.900 funcionários públicos foram demitidos, especialmente no exército, na polícia e na justiça, e que 4.262 empresas ou instituições ligadas a Gülen foram fechadas.