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Prisão Mesquita Malásia Religião

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Rapper é preso após gravar videoclipe em mesquita da Malásia

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Namewee, um rapper popular da Malásia, teve detenção provisória decretada por "insulto ao Islã". REUTERS/Bazuki Muhammad/File Photo

O rapper malaio Namewee foi preso no domingo (21), ao voltar de uma viagem ao exterior. O motivo: o artista gravou um videoclipe dentro de uma mesquita da Malásia, considerado um insulto ao islamismo, a religião oficial do país.


No vídeo da música "Oh, my God" (Oh, meu Deus, em português), Namewee canta com outros cinco artistas diante e no interior de uma mesquita, uma igreja e templos hindus, budistas e taoístas. O grupo está vestido com roupas que representam diferentes culturas e religiões.

Há algumas semanas, vinte Ongs denunciaram o rapper, afirmando que, nas imagens, alguns personagens pronunciavam a palavra "Alá". Na ocasião, o rapper declarou que não tinha o objetivo de "insultar as religiões", mas "promover a harmonia".

Ao voltar de uma viagem ao exterior, o músico, que é muito popular na Malásia, foi preso. Ele deve permanecer quatro dias em prisão provisória, mas, de acordo com a imprensa local, ele pode receber a pena de até dois anos de prisão.

"Já que não fiz nada de mal, por que eu deveria fugir e me esconder? A Malásia é minha casa, meu país", escreveu o artista em sua página no Facebook. Muitos fãs se intrigaram porque Namewee, sabendo do risco de ser preso, voltou ao país após a viagem. Há dois dias, ele chegou a modificar seu vídeo, o que não foi suficiente para impedir sua detenção.

Católicos não podem pronunciar a palavra "Alá"

Dois terços da população malaia é muçulmana, mas o país também conta com importantes comunidades budistas, católicas e hindus. O islamismo praticado no local é moderado, mas, há alguns anos, algumas regras mais rígidas foram impostas, como o fato de os católicos não poderem pronunciar a palavra "Alá".

A Ong Anistia Internacional pede a libertação imediata do cantor. Para a instituição, "a proteção das religiões e das crenças não deve restringir a liberdade de expressão", como consta da constituição da Malásia.