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Índia lança ataques contra a Caxemira e provoca a revolta do Paquistão

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O tenente-coronel Ranbir Singh durante entrevista coletiva na qual apresentou a operação? REUTERS/Stringer

A Índia anunciou nesta quinta-feira (29) que executou "bombardeios cirúrgicos" na disputada região da Caxemira, onde morreram pelo menos dois soldados paquistaneses. A operação acontece 10 dias depois de um violento ataque a uma base militar indiana atribuído a um grupo extremista que tem sua base no Paquistão.


Nova Délhi buscava uma medida de represália após o ataque contra sua base de Uri no dia 18 de setembro. O episódio, que custou a vida a 18 militares, foi a ação mais violenta em mais de uma década na Caxemira. "Vários terroristas estavam posicionados em bases ao longo da linha de controle para entrar clandestinamente (na Índia) e cometer ataques terroristas", afirmou o tenente-coronel Ranbir Singh, diretor geral de operações militares do exército, em uma entrevista coletiva. "O exército indiano realizou bombardeios cirúrgicos na noite passada contra estas posições", completou Singh.

O militar indicou que os "terroristas" planejavam atentados na região da Caxemira e em outras metrópoles indianas. "Os ataques deixaram um número significativo de vítimas entre os terroristas e aqueles que tentam apoiá-los", destacou o tenente-coronel. Singh não explicou se os ataques aconteceram por via terrestre ou aérea.

O primeiro-ministro paquistanês, Nawaz Sharif, condenou os bombardeios e o exército do país acusou as tropas indianas pela morte de dois soldados ao longo da linha de controle. Em um comunicado, o premiê prometeu que seu exército impediria "qualquer plano diabólico para abalar a soberania do Paquistão". "O que a Índia fez não foram bombardeios cirúrgicos, e sim disparos transfronteiriços", afirma uma nota oficial do exército paquistanês.

Soberania é reivindicada desde 1947

Os países vizinhos reivindicam a soberania da região himalaia da Caxemira desde 1947. Dezenas de milhares de pessoas, em sua maioria civis, morreram no conflito.

A Índia acusa o Paquistão de apoiar a rebelião armada e as infiltrações na parte da Caxemira controlada por Nova Délhi, algo que Islamabad nega. Há várias décadas, grupos separatistas lutam contra o exército indiano – que mobilizou quase meio milhão de soldados na região – para exigir a independência do território himalaio ou sua integração ao Paquistão.

Nova Délhi também se encontra na defensiva no plano diplomático, tentando isolar Islamabad do cenário internacional. A Índia desistiu de participar em uma reunião de cúpula regional prevista para outubro na capital paquistanesa, uma decisão imitada por Bangladesh, Afeganistão e Butão.

(Com informações da AFP)