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Iêmen Bombardeio Morte

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Bombardeios aéreos deixam mais de 100 mortos no Iêmen

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Bombardeio atingiu um prédio onde estava sendo realizado um funeral em Sanaa, capital do Iêmen, neste sábado (8). REUTERS/Khaled Abdullah

Mais de 100 pessoas morreram e 520 ficaram feridas neste sábado (8) no Iêmen, em bombardeios aéreos atribuídos pelos rebeldes huthis à coalizão árabe. Os explosivos caíram em uma multidão que acompanhava um funeral na capital Sanaa.


De acordo com o site dos rebeldes, sabanews.net, aviões da coalizão atacaram um edifício na capital, controlada pela rebelião huthi, onde pessoas participavam do funeral do pai do ministro do Interior, Jalal al Ruishen, também insurgente.

"Um avião lançou um míssil e minutos depois outro avião atacou" o edifício, disse uma testemunha. Outro cidadão, que pediu anonimato, descreveu o ataque como um "crime de guerra". "Era o funeral de um homem em Sanaa, que agora se converteu no funeral de dezenas de iemenitas", afirmou.

As equipes de resgate retiravam corpos queimados e tentavam alcançar outros presos entre os escombros, informou um fotógrafo da AFP no local. Alguns feridos perderam membros de seus corpos e estavam sendo tratados no próprio local do bombardeio por voluntários, acrescentou.

O balanço das vítimas foi fornecido por Naser al Argaly, um funcionário de alto escalão do ministério da Saúde do Iêmen, controlado pelos rebeldes. Segundo ele, o número de mortos ainda pode aumentar. O prefeito de Sanaa, Abdel Qader Hilal, estaria entre as vítimas.

Arábia Saudita é responsabilizada

De acordo com o site dos rebeldes, sabanews.net, a coalizão liderada pela Arábia Saudita seria a responsável pelo ataque aéreo. "Dezenas de cidadãos morreram como mártires ou foram feridos neste ataque", afirmaram.

Arábia Saudita, que lidera uma coalizão contra os rebeldes xiitas huthis desde março de 2015, está sendo vigiada de perto por ter sido responsável, supostamente, pela morte de centenas de civis com seus ataques. Por comunicado, o país negou a autoria do massacre e afirmou que não realiza operações militares no local onde o drama foi registrado.

Um representante da coalizão disse à AFP que suas operações militares utilizam um laser muito preciso e armas guiadas por GPS para mirar precisamente nos alvos e evitar a morte de civis.

Mais de 6,7 mil mortes em dois anos

Os huthis se apoderaram de Sanaa há mais de dois anos e controlam também outras regiões do país. O governo iemenita, que precisou fugir do país, tenta recuperar o terreno perdido com o apoio da coalizão árabe liderada pela vizinha Arábia Saudita.

Mais de 6,7 mil pessoas, em sua maioria civis, morreram no Iêmen desde que a coalizão iniciou sua campanha em apoio ao presidente Abd Rabbo Mansur Hadi, segundo as Nações Unidas.

Organizações de defesa dos direitos humanos acusam a coalizão de cometer erros depois que civis começaram a ser atingidos pelos bombardeios.

Um relatório da ONU publicado em agosto afirmava que os ataques da coalizão árabe podem ter provocado cerca da metade das mortes de civis no Iêmen. O documento pedia a criação de um organismo independente para investigar as violações cometidas.

(Com informações da AFP)