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Tecnologia Samsung

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"Galaxy Note 7 da Samsung é a gafe do ano", diz especialista em tecnologia

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Samsung não informou, até o momento, as causas das explosões das baterias dos aparelhos Galaxy Note 7. AFP PHOTO /GWANGJU BUKBU POLICE STATION

Depois de muita reviravolta, a Samsung anunciou nesta terça-feira (11) a suspensão da produção do "phablet" Galaxy Note 7, após o registro de uma série de combustões e explosões da bateria do aparelho. Considerado como "um fiasco" na Europa, no Brasil, onde a tecnologia não chegou nem mesmo a ser lançada, usuários e fãs da marca não escondem sua decepção com o caso.


"O Galaxy Note 7 é a maior gafe do ano", diz Eduardo Moreira, editor-chefe do site TargetHD, especializado em tecnologia. O produto era a grande aposta da sul-coreana de 2016, mas não chegou nem mesmo a ser lançado em todos os países onde estava previsto ser comercializado, como é o caso do Brasil.

Para o especialista, a situação é lamentável. "Quem é apaixonado por novidades no setor, não quer ver produtos saindo do mercado", diz.

Segundo Moreira, o Galaxy Note 7 tinha tudo para ser o principal produto de 2016. "Mas, infelizmente esse sucesso morreu prematuramente por conta de decisões equivocadas da empresa, que precisa refletir sobre tudo o que está fazendo para entrar em uma competição saudável e justa, mas que também disponibilize produtos de qualidade para o consumidor."

Erro na concepção das baterias

Na corrida para colocar o produto no mercado antes da chegada dos iPhone 7 e iPhone 7 Plus da Apple, principal concorrente da Samsung, especialistas apontam que a sul-coreana se precipitou, passando a comercializar um "phablet" (junção de telefone com tablet) provavelmente inacabado.

Segundo Geoffrey Cain, jornalista investigativo que acaba de lançar um livro sobre a gigante asiática, “a Samsung é uma empresa do tipo militar e sua força é a rapidez de execução. Os engenheiros foram submetidos a uma pressão intensa, pois a sul-coreana queria derrotar os últimos modelos iPhone da Apple e lançar o Note 7 mais cedo”, conta. “Diante da pressão para terminar logo, a Samsung cometeu um erro grave na concepção das baterias, o que explicaria essas explosões”, analisa.

Para Moreira, o caso demonstra uma grande irresponsabilidade com o consumidor. "Sabemos que o Galaxy Note 7 era o carro-chefe da empresa neste segundo semestre, uma grande aposta, um material top de linha em um segmento em que a Samsung é líder de mercado. Mas, a partir de momento que a falha passou a comprometer a integridade física do usuário, a melhor decisão era retirar o produto do mercado imediatamente", salienta.

Segunda remessa também apresentou falhas

Ao invés de suspender a venda, algumas semanas depois do lançamento do Galaxy Note 7, quando os aparelhos começaram a apresentar problemas, a empresa convocou um recall de 2,5 milhões de unidades. Para piorar a situação, os aparelhos substituídos apresentavam problemas semelhantes aos da primeira remessa.

Outra falha grave, aponta Moreira, foi a rapidez como se deu o recall. "As pessoas começaram a receber os aparelhos reparados apenas três semanas depois. Sem dúvida, faltou uma verificação mais apurada sobre a origem do problema e uma solução real para ele."

O resultado foi que, usuários indignados passaram a publicar as imagens de telefones carbonizados e as reclamações inundaram as redes sociais de todo o mundo. Um aparelho chegou a explodir dentro de um avião nos Estados Unidos, pouco antes da decolagem, em um episódio visto como o ápice da humilhação do grupo, que até então se vangloriava de ser o campeão de inovação e qualidade no setor.

Até o momento, não foram divulgadas informações sobre as causas da combustão espontânea das baterias do Galaxy Note 7. Geralmente, explica o editor-chefe do TargetHD, as explosões de celulares estão relacionadas com a conexão elétrica do carregador, o que não parece ser o caso do produto da Samsung.

O detalhe, segundo Moreira, torna o problema mais sério ainda. "O modelo que pegou fogo no avião estava desconetado do carregador e o usuário indicou que o aparelho estava em modo off-line", acrescenta.

Prejuízo de US$ 10 bilhões

O anúncio do fim da produção do "phablet" provocou a queda de 8% das ações da Samsung na Bolsa de Seul na manhã desta terça-feira. Economistas calculam que o fiasco pode custar cerca de US$ 10 bilhões para a sul-coreana.