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Celular Samsung Queda Coreia do Sul

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Lucro trimestral da Samsung cai 30% após fiasco do celular Galaxy Note 7

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Galaxy Note 7 foi um fracasso por conta das baterias explosivas REUTERS/Kim Hong-Ji

A Samsung anunciou nesta quinta-feira (27) que registrou queda de 30% do lucro no terceiro trimestre, um resultado esperado após o escândalo do celular Galaxy Note 7, cujas baterias podiam explodir. A empresa também revelou que J. Y. Lee, provável herdeiro da empresa, foi aceito na diretoria.


O maior fabricante de telefones celulares do planeta informou que o lucro operacional entre julho e setembro foi de 5,2 trilhões de wons (US$ 4,6 bilhões), contra 7,3 trilhões de wons no mesmo período do ano passado.

O resultado foi publicado poucas horas antes da reunião extraordinária de investidores. No encontro, os acionistas aprovaram a nomeação de J. Y. Lee para a diretoria de nove membros.

J. Y. Lee se perfila como o herdeiro mais provável da empresa sul-coreana, depois que seu pai, Lee Kun-Hee, presidente da Samsung Electronics e da matriz Samsung Group, teve uma crise cardíaca em 2014.

A mudança de geração em uma empresa-símbolo da Coreia do Sul deve ser complexa. "Agora podemos dizer que o regime de Lee começou de maneira oficial", afirmou Lee Chaiwon, diretor de investimentos do fundo Korea Value Asset Management Co.

"Acredito que será uma nova era. A empresa deve ficar um pouco mais amigável para os mercados", disse Lee à agência Bloomberg News.

Uma queda esperada

A queda do lucro está de acordo com as revisões das projeções de rendimento realizadas pela própria empresa há duas semanas, após o escândalo que provocou a retirada do mercado do Galaxy Note 7.

No mês passado, a Samsung anunciou um recall de 2,5 milhões de unidades do modelo, depois de vários incidentes com usuários, que denunciaram explosões da bateria.

A decisão de suspender a produção de um modelo imaginado para competir com a rival Apple foi devastadora para uma empresa que tem orgulho da qualidade de seus produtos e de sua tecnologia inovadora.

O fiasco provocou uma queda gigantesca nos resultados da divisão de celulares, que registrou uma baixa de 98% no lucro no terceiro trimestre na comparação com os três meses anteriores, caindo a 100 bilhões de wons.

Em um comunicado anterior, a Samsung informou que a divisão teria como foco "aumentar as vendas dos novos produtos emblemáticos, além de buscar recuperar a confiança dos consumidores".

Processo coletivo

O impacto do escândalo das baterias explosivas no valor da marca do gigante da eletrônica ainda não pode ser quantificado, mas a Samsung já advertiu que, nos próximos dois trimestres, pode registrar uma queda de US$ 3 bilhões nos lucros.

A perda de prestígio da marca pode ser simbolizada pelo processo coletivo, com adesão de milhares de consumidores, movido pelo escândalo do Galaxy Note 7. Uma ação difícil de administrar para uma empresa  acostumada a ser tratada como a joia da coroa na Coreia do Sul.

A Samsung representa 17% do PIB do país, e a crise teve um forte impacto na economia, o que obrigou o Banco Central a ajustar suas projeções de crescimento.

Mas o dia não foi apenas de notícias ruins para a Samsung, já que a divisão de monitores e chips registrou um bom resultado.

O lucro operacional para a divisão de semicondutores foi de 3,37 trilhões de wons, uma alta de 28% em comparação com o trimestre anterior.