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Passageiros aéreos são espionados ao usar celular no voo, denuncia Snowden

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Os passageiros da Air France foram os mais espionados pelos Estados Unidos e Reino Unido Air France

O jornal francês Le Monde, em colaboração com o site "The Intercept", publica na edição datada de 8 de dezembro os arquivos de Edward Snowden sobre a espionagem nos ares. Americanos e britânicos encontraram uma nova estratégia para descobrir informações secretas: ouvir as conversas dos passageiros que telefonam.  


Segundo os documentos revelados, a Agência de Segurança Americana (NSA) e os serviços secretos britânicos podem captar todos os dados, inclusive as senhas, dos telefones dos passageiros da maior parte das companhias aéreas mundiais, entre elas, a Air France.

Le Monde começa o artigo com uma adivinhação formulada pelo próprio Edward Snowden: "Qual é o ponto comum entre o presidente do Paquistão, um traficante de cigarros ou de armas, um alvo do contra-terrorismo ou um membro de uma rede de proliferação nuclear? Todos utilizam o celular no avião".

O artigo cita uma carta de informação interna de 2010 em uma das principais diretorias da Agência americana, "SIDToday", classificada como ultra confidencial. O texto anuncia o surgimento de um novo terreno de espionagem, que ainda não havia sido explorado: a interceptação de dados de comunicações a bordo. Como base, são citados outros documentos internos: em 2009, a agência assinala que, em dezembro de 2008, 50.000 pessoas já haviam utilizado o celular em voo, um número que dobrou para 100 mil em fevereiro de 2009.

Depois dos americanos, os ingleses espionando

No fim de 2012, o Government Communications Headquarters (GCHQ), o equivalente britânico da NSA, também faz uma apresentação "top secret" para revelar o programa Southwinds ("Ventos do sul"), criado para coletar todo o tráfego, a voz, a data, os metadados e os conteúdos das conexões feitas a bordo dos aviões. A zona visada ainda se limitava à Europa, Oriente Médio e África, cobertas por satélites Inmarsat - empresa britânica de telecomunicações via satélite.

A coleta dos dados é praticamente "em tempo real" e um avião pode ser captado a cada dois minutos. Para espionar um telefone, basta que o avião esteja a uma altura de 10.000 pés. O sinal transita por satélite, a técnica de interceptação se faz por estações secretas de antenas no solo. É só o telefone estar ligado para ser localizado; a interceptação pode ser cruzada com o registro da lista de passageiros e os números dos voos, e o nome do usuário do celular é revelado. Mais sofisticado ainda é o método para descobrir a senha: mesmo à distância, os serviços secretos britânicos podem perturbar o funcionamento para obrigar o usuário a reiniciar e, assim, descobrir a sua senha.

Air France, mira principal

Os americanos e britânicos batizaram suas operações de espionagem com nomes de aves como, por exemplo, "pombo correio". Foi o jornalista independente americano Glenn Greenwald que fez essa revelação em seu livro "Sem lugar para se esconder", publicado no Brasil.

Entre 2005 e 2013, aviões comerciais do mundo inteiro, e particularmente os da companhia aérea Air France, foram espionados. Foi em  2005 que um documento dos serviços secretos americanos fixou as linhas principais de vigilância dos aviões civis, "para se evitar um novo 11 de setembro".

A explicação sobre o interesse maior dos americanos e britânicos pela companhia francesa sempre é o temor de atentados terroristas. É o que provam os documentos inéditos publicados por Le Monde, em cooperação com o site The Intercept, e arquivos de Snowden entregues aos jornalistas Greenwald e Laura Poitras.

Le Monde informa que Estados Unidos e Reino Unido são os mandachuvas no clube fechadíssimo dos "Five Eyes", que, desde a Segunda Guerra Mundial, reúne os serviços secretos americano, britânico, canadense, australiano e neo-zelandês.