rfi

Ouvindo
  • RFI Brasil
  • Último jornal
  • RFI em francês
Meio Ambiente
rss itunes

Estudo avalia países equacionando mudanças climáticas, conflitos e situação econômica

Por Augusto Pinheiro

Foi divulgado na última terça-feira um estudo que, pela primeira vez, avalia os países unindo critérios como mudanças climáticas, riscos de conflitos e situação econômica.

A pesquisa, batizada de A Economia da Segurança Planetária: As Alterações Climáticas como Fator de Conflito Econômico, foi realizada pelo Centro de Estudos Estratégicos de Haia e pelo Instituto Clingendael de Relações Internacionais. O resultado pode ser conferido em uma plataforma online, que classifica os países de acordo com a vulnerabilidade ao conjunto desses fatores.

"A plataforma deseja provocar mudanças nas práticas das comunidades ao redor do mundo para ajudar a solucionar problemas relacionados às mudanças climáticas. Queremos informar o que essas mudanças significam para a segurança do planeta. Os riscos ambientais estão entre os principais enfrentados no mundo", explica Michel Rademaker, diretor do Centro de Estudos Estratégicos de Haia.

Os países em melhor situação, segundo os resultados da equação de critérios da plataforma, são Finlândia, Dinamarca, Noruega, Japão e Holanda. Já no outro extremo estão Somália, Afeganistão, Paquistão, Iraque e República Centro Africana. O Brasil ocupa a posição 121 entre os 163 países analisados.

Soluções locais

Rademaker diz que às vezes as soluções devem ser locais, e não globais, respeitando a diversidade e as características de cada país.

"Temos que fazer mudanças substanciais nas próximas décadas. Não podemos continuar usando os mesmos modelos econômicos. Temos que, fundamentalmente, reestruturar a nossa maneira de pensar, até mesmo o uso de jargões. Se for possível encontrar caminhos que possam levar a soluções menores em várias partes do mundo, isso faria a diferença", avalia.

Em relação ao Brasil, o diretor do Centro de Estudos Estratégicos de Haia diz que os resultados mostram que o país tem um grave problema de uso da emissão hidrocarbonetos.

"Um dos critérios de risco que nós medimos, que é importante para o Brasil, é o chamado risco de baixo carbono. Trata-se do nível de dependência de uma economia, que acho que inclui o Brasil, a modelos baseados em hidrocarbonetos. Para esses países, o modelo é uma armadilha. O Brasil está no meio do ranking de baixo carbono, ou seja, não está entre as nações mais vulneráveis a esse risco. Porém é um país grande, e é um problema sério que precisa de uma atenção especial."

Queima de combustíveis

Os hidrocarbonetos se originam da queima e da evaporação de combustíveis, como álcool, gasolina e diesel, e de outros produtos voláteis. A substância é responsável pelo aumento do número de casos de câncer no pulmão, irritação nos olhos, nariz, pele e aparelho respiratório.

"Do ponto de vista do nosso monitoramento, os países devem diversificar suas economias e eliminar parte das atividades econômicas baseadas nos hidrocarbonetos, transformando-as em renováveis. Então há dois eixos: certificação econômica e uso de energias renováveis. Não estou muito familiarizado com o ecossistema brasileiro, mas acho que há um grande potencial para ter outras fontes de energias, além dos hidrocarbonetos", afirma Rademaker.

O estudo traz ainda outras informações sobre o Brasil. No item mudanças climáticas, o país tem também grande vulnerabilidade em relação à variação das chuvas, o que provoca secas e enchentes. Na parte econômica, o Brasil aparece no vermelho nos quesitos liberdade econômica, nível de débito e nota de crédito.

Europa teme entrada de “salmonstro”, o salmão transgênico canadense

Supermercados da França geram polêmica com abuso no preço de orgânicos

Dependente de energia nuclear, França cogita desligar um terço de seus reatores

Primeiro partido de defesa dos animais estreia em eleições legislativas na França

Triagem incorreta do lixo é motivo de briga em boa parte dos casais franceses

Crise política no Brasil contribui para desmatamento desenfreado na Amazônia

Brasil pode perder áreas de conservação ambiental do tamanho de Portugal, alerta WWF

Falta de engajamento no programa ambiental de Macron desagrada Ongs francesas