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Iraque Grupo Estado Islâmico Mossul ofensiva militar

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Forças iraquianas lançam ofensiva para retomar oeste de Mossul

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Soldados iraquianos que participam da batalha pela reconquista de Mossul. REUTERS/Khalid al Mousily

As forças iraquianas lançaram neste domingo (19) a ofensiva para libertar o oeste de Mossul. A nova etapa acontece quatro meses após o início das operações militares para tentar libertar a segunda maior cidade iraquiana das mãos do grupo Estado Islâmico (EI). A batalha se anuncia difícil e um das maiores preocupações é com os 650 mil civis que moram na região. Os jihadistas controlavam Mossul desde 2014 e a cidade é o último reduto do movimento ultrarradical no Iraque.


Milhares de homens estão mobilizados nestas operações, que começaram no início da manhã com a tomada de duas localidades próximas ao aeroporto situado no sul da cidade. Perto frente de batalha era possível ouvir intensos bombardeios aéreos e terrestres, constatou uma jornalista da AFP.

O primeiro-ministro iraquiano, Haider al Abadi, anunciou o lançamento da ofensiva em um breve discurso na televisão. "Nossas forças começaram a libertar os cidadãos do terror do Daesh (sigla em árabe do Grupo Estado Islâmico), disse al Abadi.

A grande ofensiva para retomar Mossul foi lançada no dia 17 de outubro. Depois de semanas de duros combates, em janeiro, as forças governamentais conseguiram controlar a parte leste da cidade. Cercado no seu último grande reduto no Iraque, o EI resiste e defende com ferocidade Mossul, onde seu líder, Abu Bakr al-Baghdadi, proclamou seu califado em junho de 2014.

Batalha difícil e delicada

A parte ocidental é menor que a oriental, conquistada em janeiro, mas é mais densamente povoada. Segundo a ONG Save the Children, cerca de 350.000 crianças se encontram nessa região oeste de Mossul. "Serão necessários corredores de humanitários seguros para retirar os civis o mais rápido possível", insistiu Maurizio Crivallero, diretor no Iraque da ONG. "As consequências dos bombardeios (...) nas ruas estreitas e densamente povoadas podem ser ainda mais fatais que tudo o que viemos até agora no conflito", acrescentou.

As ruelas da cidade velha dificultarão a passagem dos veículos militares, retardando o avanço das forças federais, alertaram analistas. A batalha pela retomada do oeste de Mossul "pode ser mais difícil, com combates casa por casa, mais sangrentos e em maior escala", adverte Patrick Skinner, do Soufan Group Intelligence Consultancy.

Além disso, os extremistas podem se beneficiar de um maior apoio de pessoas da zona oeste, principalmente sunitas, do que na parte leste. "A resistência do EI pode ser maior nesta área e será mais difícil, mas é mais essencial", afirma Emily Anagnostos, do Institute for the Study of War. Em um primeiro momento, a polícia federal e as tropas do ministério do Interior iniciarão esta nova fase da ofensiva avançando rumo ao aeroporto de Mossul, localizado na periferia sul da cidade, a oeste do Tigre, o rio que atravessa Mossul.

Desgaste

As forças federais sofrem um desgaste significativo, mas a situação do EI é ainda pior. Os extremistas podem não ter recursos suficientes para defender o oeste de Mossul de forma eficaz. No entanto, mesmo nas áreas reconquistadas, o grupo ultrarradical continua atacando. Isso indica que os jihadistas estariam camuflados entre a população civil.

A coalizão internacional liderada por Washington celebrou neste domingo a retomada da ofensiva. Essa "é uma batalha difícil para qualquer exército", mas "as forças iraquianas estão à altura do desafio", declarou o comandante americano Stephen Townsend. O militar elogiou o envolvimento de "soldados" e "policiais" iraquianos, mas também de "milícias", iranianas e curdas.

A conquista de Mossul significaria o fim da presença no Iraque de EI como força implantada no território e seria um sério revés para o "califado". O primeiro-ministro iraquiano afirmou no final de dezembro que seriam necessários três meses para expulsar o grupo Estado Islâmico do país.

Na vizinha Síria, os jihadistas defendem com determinação seu reduto de Raqa, assim como a cidade vizinha de Al Bab, perto da fronteira turca.

(com informações da AFP)