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Superbactérias resistentes a antibióticos podem matar “tanto quanto o câncer”, diz OMS

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A Pseudomonas aeruginosa é uma bactéria Gram-negativa extremamente versátil, que pode ser encontrada em diversos ambientes. wikipédia

A Organização Mundial de Saúde (OMS) publicou nesta segunda-feira (27) uma lista de 12 famílias de superbactérias contra as quais considera "urgente" desenvolver novos tratamentos. A entidade vem enfrentando um sério desafio de saúde com relação à resistência aos antibióticos.


"Esta lista foi estabelecida para tentar orientar e promover a investigação e desenvolvimento de novos antibióticos, alvejando as 12 famílias das bactérias mais ameaçadores para a saúde humana", afirmou nesta segunda-feira (27) a OMS, com o objetivo de evitar o ressurgimento de doenças infecciosas incuráveis.

O risco é considerado "crítico" para três famílias de bactérias: Acinetobacter, Pseudomonas e as enterobactérias (incluindo a E. coli), resistentes inclusive aos antibióticos mais recentes, chamados de antibióticos “de último recurso”, e responsáveis pela maioria das infecções hospitalares.

"A resistência aos antibióticos está aumentando e nós estamos esgotando rapidamente as nossas opções terapêuticas. Se deixarmos esta solução para o mercado, a produção destes novos antibióticos não ficará pronta a tempo", alertou Marie-Paule Kieny, subdiretora-geral da OMS para as áreas de saúde e inovação.

A entidade classificou como de "alta prioridade" seis famílias de bactérias responsáveis por infecções geralmente adquiridas fora do hospital e resistentes a vários tipos de antibióticos. São elas os estafilococos dourados, a Salmonella, a Helicobacter pylori (bactérias responsáveis por úlceras de estômago) ou ainda a Neisseria gonorrhoeae (que provoca a gonorreia, doença sexualmente transmissível).

Três outras famílias de bactérias foram classificadas pela OMS como de "prioridade média", o pneumococo, que pode levar à pneumonia e meningite, a Haemophilus influenzae, responsável por infecções como otite, e a Shigella spp, que causa infecções intestinais como a disenteria.

700 mil mortes por ano

As bactérias resistentes aos antibióticos podem matar até 10 milhões de pessoas por ano até 2050, tanto quanto doenças como o câncer, de acordo com um grupo de peritos internacionais formado em 2014 no Reino Unido, e autor de vários relatórios sobre o assunto.

De acordo com o grupo, presidido pelo economista Jim O'Neill, o fenômeno já causou 700 mil mortes por ano, incluindo 50 mil na Europa e nos Estados Unidos. Na França, estima-se que a resistência aos antibióticos seja responsável por 12,5 mil mortes por ano, segundo um relatório apresentado em 2015 ao Ministério da Saúde do país.

A Organização Mundial de Saúde (OMS) soa regularmente o alarme sobre este assunto. Em 50 anos, "apenas duas novas classes de antibióticos apareceram no mercado," porque o retorno sobre o investimento para este tipo de medicamentos é insuficiente para laboratórios, salientou a diretora-executiva da OMS, Margaret Chan.

O alerta da OMS representa "um passo importante" para combater a resistência aos antibióticos, afirmou a Sociedade Europeia de Microbiologia Clínica e Doenças Infecciosas (Escmid). "Esperamos que isso vá empurrar os governos e grupos de investigação a definir as prioridades certas para reduzir o número de mortes devido a infecções resistentes", afirmou Evelina Tacconelli, membro do Comitê Executivo do Escmid que contribuiu para o desenvolvimento da lista das 12 famílias de superbactérias da OMS.

“Esta lista é um instrumento valioso e urgentemente necessário", também comentou a ONG Médicos Sem Fronteiras, que lida com o problema da resistência aos antibióticos todos os dias.